CHINARTE Artes da Saúde

Novas Aprendizagens, Estar e Ser Naturalmente!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Especialização em Yang Tai Chi Dao (Sabre) da Yong Nian Portugal

A CHINARTE realizou este fim de semana (dias 26, 27 e 28.11.2010) em Viana do Castelo mais um curso de Yang Tai Chi Tradicional que visou a especialização na Forma de Sabre Tradicional e o aprofundamento das técnicas da Forma Yang Tradicional (Punhos).

O curso destinou-se apenas a praticantes de nível avançado da linhagem do Grão Mestre Fu Sheng Yuan (World Yong Nian Tai Chi Federation). Este curso foi realizado no âmbito de uma série de cursos que têm vindo a ser desenvolvidos pela CHINARTE com o objectivo de proporcionar uma formação de carácter mais personalizado, o que permite uma aprendizagem contínua mais detalhada e profunda das técnicas do Autêntico Yang Tai Chi Tradicional.

Formador Responsável: Mestre Nelson Barroso (Presidente da Yong Nian Tai Chi Portugal)


Carlos Lema, Diana Roque, Mestre Nelson Barroso, Paula Ferreira, Sónia Ferreira, Paula Gomes, Carlos Felgueiras












terça-feira, 2 de novembro de 2010

E realizámos na CHINARTE mais um curso intensivo...

Realizou-se no passado fim de semana , dias 30 e 31 de Outubro 2010, o Curso Intensivo de Luohan Chi Kung dirigido pelo Mestre Internacional Wing Sing Tong Nelson Barroso. este curso direccionou-se a praticantes de nível avançado e visou a especialização nas formas Siou Luohan e Dai Luohan.

Foto de Grupo: Mestre Nelson Barroso e Participantes: César Garcia, Paula Vieira, Mestre José Gago, José Grilo, Carlos Felgueiras, Juanjo, Diana Roque (ausente na foto por ser a fotógrafa!)



No curso desenvolveram-se e aprofundizaram-se em cada forma as técnicas inerentes ao movimento, à respiração, à meditação activa e à condução da energia, nomeadamente no que respeita à execução da primeira, segunda e terceira partes da forma Siuo Luohan e aos 16 exercícios iniciais da forma Dai Luohan. O estudo e a prática incidiram, também, na perspectiva da aplicação terapêutica destas técnicas de Luohan Chi Kung.









Em breve realizar-se-á o Curso Intensivo de Tai Chi Dao (Sabre), fiquem atentos às novidades!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

SATISFAÇÃO TOTAL "Curso Espada - Yang Tai Chi Jien""

O Curso de Especialização na Forma de Espada Yang decorreu na CHINARTE nos dias 1, 2 e 3 Outubro 2010. A eficácia do curso resultou de um treino / formação intensa e personalizada. Estudo teórico e prático dos 51 movimentos da forma Espada Yang associando as denominações das diversas sequências de exercícios da forma, realçando o trabalho de "kung fu" e "Fa Jin", assimilando os ritmos distintos que se adoptam ao longo da forma, sem perder a fluidez e graciosidade nos movimentos e mantendo presente de forma constante o enraizamento e a força.


Registam-se aqui alguns comentários de participantes no curso, os quais são um incentivo à realização de novas dinâmicas nesta área.


Josefina Lourenço - "Fazer cursos intensivos na Chinarte com Mestre Nelson são de facto uma mais valia. Ali não se perde um segundo, é para trabalhar e aprender????pois vamos a isso, e só assim se aprende de várias maneiras, não só os muitos movimentos da forma... espada yang como também disciplina, muita concentração e aperfeiçoamento constante.
Obrigada Mestre Nelson por mais um curso fantástico."


João Pedro Costa - "O curso de fim-de-semana de Espada correspondeu inteiramente às expectativas. Foi intenso, profícuo, produtivo e muito exigente. Na verdade houve momentos que chegámos a pensar que já não tínhamos forças para continuar o treino e não fosse a insistência do nosso diligente Mestre, estou certo que não teria chegado ao fim. Sem dúvida que cada um “deu o litro” e que litro!... o resultado foram 6 fatos bem “regados” e o corpo a pedir descanso, mas na alma uma satisfação imensa pois sem dúvida que viemos bem mais ricos de experiências e aprendizagens! Uma vez mais deixamos expresso nestas linhas a nossa satisfação pelos excelentes momentos de convívio e pela oportunidade e privilégio de aprendizagem com o excelente Mestre Nelson Barroso que é sem dúvida o legítimo representante do estilo Yang Tradicional em Portugal. O nosso obrigado!"

Carlos Lema - " El curso ha sido muy bueno, entrenamiento muy fuerte, confirmando que el kung fu del taichi es de lo más fuertes, sino el que más."

Diana Roque - "Adorei o curso que foi de facto extenuante em termos de trabalho. Três dias aprimorando os 51 movimentos da forma espada yang nas suas diversas vertentes é algo muito intenso e cansativo fisica e mentalmente, mas valeu a pena. Memorizar todas as denominações dos movimentos, fixar os pormenores de cada movimento, se têm fa jin ou não, o ritmo e fluidez... enfim foi mesmo muito intenso, mas não há outra forma de trabalhar se queremos caminhar e evoluir cada vez mais nesta arte. Muito Obrigada pelo empenho e dedicação que demonstras e comprovas continuamente, superando em cada curso que realizas o que possamos esperar. Sem dúvida és um exemplo a seguir por todos os que visem supervisionar a aprendizagem de outros. Exigente e rigoroso nas metas a atingir, disciplina e muito trabalho. A World Yong Nian Tai Chi Federation não poderia ter um melhor representante em Portugal e és sem dúvida dos melhores Internacionalmente!!!"


Josefina Lourenço, Elsa Sardinha, Diana Roque, Mestre Nelson Barroso, João Pedro Costa, Lúcia Fonseca e Carlos Lema.

Mais fotos do curso em http://www.facebook.com/profile.php?id=1628564884#!/photo.php?pid=1241249&fbid=1520290500396&id=1628564884

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CURSO INTENSIVO LUOHAN CHI KUNG


Especialização

Siuo Luohan e Dai Luohan



Objectivo Geral

Aprendizagem dos movimentos das Formas Siuo Luohan e Dai Luohan, associada às suas especificidades nos planos energético e terapêutico.

Destinatários

Monitores, Instrutores e praticantes de Chi Kung.

Foto: Mestre Nelson Barroso/Exercício de Dai Luohan (O Grande Buda)

Requisitos Básicos: Conhecimento dos exercícios base do Sistema Luohan Chi Kung.

PROGRAMA DO CURSO

· Estudo teórico-prático da Forma Siuo Luohan
· Tipos de Respiração na Forma Siuo Luohan
· Aplicação Terapêutica dos movimentos da Forma Siuo Luohan
· Estudo teórico-prático da Forma Dai Luohan
· Abordagem de 15 exercícios de Dai Luohan nos aspectos energéticos e meditativos.

Formador Responsável: Mestre Nelson Barroso

Datas e Horários do Curso:
30 de Outubro 2010: 10:00h às 13:00h e 16:00h às 19:00h
31 de Outubro 2010: 10:00h às 13:00h

Local: CHINARTE – Viana do Castelo

Inscrições: geral@chinarte.com

Forma Siuo Luohan (O Pequeno Buda) à beira mar

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Existe Um Só Tai Chi Chuan

por Nelson Barroso

Este artigo foi elaborado com base numa entrevista realizada ao Mestre Fu Qing Quan, no dia 17 de Maio de 2007 em Ourense – Espanha. Esta entrevista visou, exclusivamente, esclarecer alguns pontos um pouco dúbios, relativos à história da família Yang.

Após vários anos de prática de Tai Chi Chuan, constato que muito se escreve sobre o Tai Chi, mas infelizmente as declarações de alguns dos ditos “letrados” das Artes Marciais, pouca veracidade contêm. Para além deste facto, também os que seguem a via mística usando o Taoismo como fonte de inspiração, muito divagam. Penso que a maior parte dos documentos elaborados inicialmente provêm de Chen Man Ching, tendo posteriormente sido a base para muitos reescreverem e inventarem.

A família Yang respeita Chen Man Ching, não pela sua técnica, mas pela divulgação que fez do Tai Chi Chuan. Chen Man Ching praticou muito pouco tempo Tai Chi, todavia soube tirar partido desta arte, conseguindo depois expandi-la por Taiwan, pelo Vietname e pelos Estados Unidos da América e finalmente por todo o Mundo Ocidental. Julgo que o depoimento do Mestre Fu Qing Quan retrata bem a realidade do Tai Chi na China e no resto do Mundo. Fu Qing Quan é filho do Mestre Fu Sheng Yuan e neto do Grão-mestre Fu Zhong Wen e tal como o seu pai, tem uma vida plena de Tai Chi. Tendo nascido no seio desta arte, continua a aprendê-la e a divulgá-la para que as gerações vindouras a conheçam. Este é o seu legado, como o tem sido o dos seus antecessores. Nasce no seio do Tai Chi, e desde muito jovem iniciou a aprendizagem de Tai Chi com o Pai e com o Avó, tendo dedicado a sua vida, unicamente, às artes marciais. Na juventude pertenceu à selecção chinesa de Wushu e foi várias vezes Campeão Nacional de Jianshu (Espada). Fala-se muito de Yang Zheng Duo que é filho de Yang Cheng Fu. Mas, com quem terá ele aprendido Tai Chi, se o seu Pai faleceu quando ele apenas tinha 9 anos?
O Mestre Fu Qing Quan foi reconhecido como 7º Duan pelo Governo da Republica Popular da China e o seu Pai, o Grão Mestre Fu Sheng Yuan é actualmente a máxima autoridade Mundial do Tai Chi Chuan com o grau de 8º Duan.

O Mestre Fu Qing Quan vive em Shanghai e viaja constantemente por toda a China, Japão, Malásia, Singapura e Vietname ensinando e mostrando a arte da sua família. Desde pequeno que se deslocava com o seu Pai e Avó por todo o Mundo. As histórias do Tai Chi, os documentos mais secretos e todos os outros aspectos sobre esta arte e sobre a cultura chinesa estão bem presentes nos seus conhecimentos fazendo dele um grande Mestre de Tai Chi Chuan.

Mestre Nelson Barroso e Mestre Fu Qing Quan executando Tui Shou

Antes de entrevistar o Mestre Fu Qing Quan muni-me de alguns artigos extraídos de livros e da Internet e sentei-me no sofá com um gravador e inúmeros papeis, pronto a ouvir e a tentar esclarecer algumas dúvidas. Espero que, também, satisfaça alguma das vossas curiosidades.

Nelson Barroso – James (Mestre Fu Qing Quan), alguns livros mencionam que o Tai Chi da família Yang tem vindo a mudar com o tempo. É verdade que os movimentos antigamente eram bem diferentes do que são hoje?

Fu Qing Quan – Os movimentos não são diferentes, apenas são executados por pessoas diferentes. Os movimentos nunca mudaram. Vejamos, Fu Zhong Wen era mais baixo que Yang Cheng Fu e por isso parecem diferentes, James é mais novo que Fu Sheng Yuan e logo, também, parecem ser diferentes. A diferença de estatura, de composição da massa muscular, de idade, etc., fazem com que os movimentos se pareçam diferentes, o que não significa que os movimentos tenham mudado. Os Mestres adaptam os movimentos ao seu corpo, mas a essência e o espírito são os mesmos. Fu Zhong Wen odiava mudar fosse o que fosse. Ele foi conhecido por ser um dos mestres que melhor executava os movimentos e que os manteve tal como lhe foram ensinados. A família Yang nunca mudou os movimentos, tendo mantido esta arte inalterada desde os seus primórdios.

Nelson Barroso – Diz-se que no fim da carreira Yang Cheng Fu decidiu eliminar todos os resquícios de movimentos do estilo da família Chen, pelo que reuniu com os discípulos e reviu toda a forma, acabando com os sinais do Chen Tai Chi.

Fu Qing Quan – Penso que quem escreveu isso, escreveu algo pouco adequado e correcto. Se o Mestre quisesse trocar logo, porque motivo chamaria os díscipulos, trocava ele mesmo. Esta é a primeira questão, como tal o que questionas é muito estúpido. A segunda questão que se põe será: Porquê trocar? Yang Cheng Fu escreveu no seu livro que o Tai Chi vinha de há muitas centenas de anos e que os Mestres de outrora faziam-no muito melhor do que nós, se o Tai Chi necessitasse de ser mudado, então as pessoas dessa época já o teriam feito não era necessário nós agora trocarmos fosse o que fosse. Quem diz isto não entende nada de Tai Chi. Yang Cheng Fu deixou duas mensagens importantes no seu livro, a primeira referindo que nos anos trinta do século XX, alguns tentaram introduzir alterações no Tai Chi Chuan e a segunda, esclarece em definitivo que o estilo Tai Chi Chuan não pode ser modificado, uma vez que este é o único Tai Chi no Mundo. Yang Cheng Fu escreveu dois livros, o primeiro ficou conhecido como um Tratado do Tai Chi, intitulado “How to use Tai Chi” e o segundo livro com o título “Tai Chi to the Body and How To Use”.

É muito importante fazer-se notar que naquela época, aqueles livros apenas mencionavam o Tai Chi Chuan e não o Yang Tai Chi ou o Chen Tai Chi. Por isso, no tempo de Yang Cheng Fu, quando ele escreveu o livro não houve necessidade de lhe chamar Yang Tai Chi, porque nessa altura só existia um Tai Chi, e esse era o da Família Yang, mais ninguém ensinava Tai Chi, como tal não havia necessidade de lhe chamar Yang Tai Chi, para o diferenciar fosse do que fosse. O Tai Chi era o estilo da família Yang e todos o sabiam.

Nelson Barroso – Yang Luchan aprendeu na aldeia Chen?

Fu Qing Quan – Sim, Yang Luchan (楊露禪) (1799-1872) estudou com Chen Chang-Hsing a partir de 1820. Depois regressou a Yongnian e um habitante dessa aldeia e amigo de Yang Luchan, Wu Yu Hsiang (futuro fundador do estilo Wu de Tai Chi ) levou-o para Pequim (Beijing) para ensinar Tai Chi Chuan aos membros da família Imperial e a diversas unidades de elite da Guarda Imperial.
A primeira geração da família Yang só ensinou a gente da Corte, a pessoas ricas, entre as quais o irmão do Imperador, só estes privilegiados é que tinham acesso a esta Arte. Era proibido ensinar a pessoas do Povo. A partir da segunda geração Yang Jianhou (Yang Chien-hou) 楊健候 (1839–1917) e Yang Banhou (Yang Pan-hou) 楊班侯 (1837-1890), também, foram contratados como instrutores de artes marciais pela família Imperial, para além de que, também, ensinavam a pessoas ricas e não ao Povo. O Tai Chi tornou-se muito Popular na Terceira geração.

Os filhos de Yang Jianhou, Yang Shaohou 楊少侯 (1862-1930) e Yang Chengfu 楊澄甫 (1883-1936) tornaram-se professores de Tai Chi famosos em toda a China. Foram os primeiros Mestres a ensinarem Tai Chi Chuan ao Povo em geral em Pequim (北京 - Beijing) de 1914 até 1928. Yang Chengfu percorreu a China de Norte a Sul, divulgando amplamente a prática, não somente como uma arte marcial, mas também, como uma terapia para manter a saúde. Em 1928 mudou-se para Shanghai.

Nesta altura a aldeia da família Chen começa a ser conhecida, em consequência das pessoas questionarem de onde provinha o Tai Chi e de lhes ser dito pelos praticantes que o tinham aprendido em ChenJiagou, o que originou a sua popularidade. Este facto levou os aldeões a investigarem mais a arte de Chen Chang-Hsing e a colocarem um pouco de lado o Pao Chui (estilo de Kung-Fu da família Chen), único estilo desta aldeia. Naquela época, o Tai Chi Chuan não era muito popular junto dos autóctones de Chenjiagou, uma vez que era um estilo muito suave e aqueles não entendiam que era a força interna que gerava a eficácia e potencial desta arte.

Após estes acontecimentos a família Chen aprendeu um pouco Tai Chi e misturou-o com Pao Chui, surgindo o Chen Tai Chi, o qual foi reconhecido mais tarde em Beijing numa reunião com os Mestres de Tai Chi, onde esteve presente Chen Fake. O Tai Chi vem de Wudan com Zhang Sang Feng e data do final da dinastia Ming (1368-1644), deste Mestre passa para Chan Xi Shong, depois vem Jian Fa, e seguidamente para Chen Chang-Hsing, que tinha o estilo conhecido como Mien Chuan. Esta teoria é aceite em toda a China. Nas reuniões que temos com todos os Mestres de Tai Chi de todos os actuais estilos, todos confirmam esta teoria.

Nelson Barroso: Quem foi o primeiro Mestre de Tai Chi?

Fu Qing Quan – O primeiro Mestre de Tai Chi foi Zhang Sang Feng que terá vivido entre as Dinastias Sung e Ming. Muitas pessoas que praticam Tai Chi na China comemoram o nascimento do fundador desta arte, Zhang Sang Feng. O estilo de Zhang Sang Feng era conhecido como Mien Chuan “punho de algodão”. Yang Luchan, aprendeu com Chen Chang - Hsing o estilo de Zhang Sang Feng. A partir de Yang Luchan o Tai Chi Chuan fica conhecido como Yang Tai Chi Chuan, mas a base do Tai Chi é apenas uma, respectivamente, o estilo de Zhang Sang Feng, ou seja, pura e simplesmente – Tai Chi Chuan.

Nelson Barroso: É verdade que Yang Luchan foi o responsável pela divulgação do Tai Chi?

Fu Qing Quan – Sim, se não fosse Yang Luchan, o Tai Chi teria terminado com Chen Chang Hsing, uma vez que nessa altura nenhum membro da família Chen queria fazer Tai Chi, todos preferiam praticar Pao Chui. Yang Luchan dinamizou o Tai Chi Chuan e foi a partir dele que muitas outras pessoas tiveram acesso a esta arte. Yang Luchan fez do Tai Chi uma das mais eficazes artes marciais. Na China todas as artes marciais são consideradas eficazes, todas são boas. Todavia, deve-se fazer notar que é o praticante que faz a diferenciação, ou seja, dada arte poderá ser considerada superior relativamente a outra, consoante o indivíduo que a pratica. Devo, ainda, realçar que Yang Luchan foi um dos que se destacou na arte do Tai Chi e, por isso a partir dele a escola de Tai Chi obteve um grande incremento de popularidade. Este Mestre, Yang Luchan, ficou conhecido com o cognome de o “Invencível”.
Nelson Barroso: Porque que motivo existem tantos estilos de Tai Chi Chuan?

Fu Qing Quan – Porque o povo chinês gosta muito de inventar. A maioria dos estilos que surgiram no Tai Chi são o resultado da falta de conhecimento das pessoas. Devido ao seu ego, à sua inteligência e ao facto de pensarem que já sabem tudo, julgam que podem inventar, recriando a arte ao imaginar novas formas de exercer a prática. Por outro lado, também, sucedeu que muitos formaram novos estilos, atendendo a que se aperceberam que poderia ser uma forma de sustento, uma vez que dando aulas obtinham um incremento dos seus rendimentos. Isto não ocorreu apenas na época de Yang Luchan, também, nos dias de hoje sucede com frequência.

E noto que não somente no Oriente. De facto, actualmente, também, se constata que no Ocidente, qualquer um cria um estilo e defende-o como se fosse o melhor.
Nós, na nossa família nunca o fizemos, sempre mantivemos a tradição, porque entendemos que o que está bem feito não se muda.

Nelson Barroso: Todos os estilos de Tai Chi vêm da família Yang?

Fu Qing Quan – Sim, foi a partir de Yang Luchan que surgiram os primeiros estilos de Tai Chi. O primeiro estilo que surgiu foi o estilo Wu, derivado do Mestre Wu Yu Hsian que trabalhava em Beijing e era da aldeia de Yongnian, a mesma aldeia em que vivia Yang Luchan. Eram amigos e Yang Luchan acompanhava Wu Yu Hsian na prática do Tai Chi, vindo este último a tornar-se seu aluno graduado e mais tarde, também, Mestre de Tai Chi, ensinando a prática com algumas modificações relativamente ao que tinha aprendido. Wu Yu Hsian era um erudito de uma família rica e influente, tendo sido ele que levou Yang Luchan para Beijing, para que este ensinasse a técnica aos funcionários do Imperador. Esta variação da Escola Yang é hoje conhecida como, Escola Hao, em virtude de não terem existido descendentes Wu no seguimento da arte. A segunda variação da escola Yang provem de Wu Quan You (1834-1902) que era Manchu e trabalhava como guarda na corte Imperial de Beijing, tendo sido aluno do Mestre Yang Luchan. Wu Quan You vestia-se com trajes compridos até aos pés, o que veio a influenciar os movimentos dos exercícios deste estilo, sendo que nesta variante os exercícios são pequenos, com passos curtos. Apesar de Wu Quan You ser o fundador deste estilo, é o seu filho, Wu Jian Quan (1870-1942) que através de um árduo trabalho, se empenhou em divulgar o estilo que passou a ser conhecido como o Estilo Wu Jian Quan ou Estilo Wu. Mais tarde, surge o estilo de Sun Lutang (1861-1933). Esta forma foi modificada propositadamente, porque Sun Lutang era um credenciado Mestre de H-Sing e de Ba Gua Zhang. Após, ter praticado Tai Chi com Hao Wei Zhen e com Yang Luchan, Sun Lutang modificou, intencionalmente, a forma e criou um novo estilo.

Nelson Barroso: Todas estas variações podem ser consideradas Estilos de Tai Chi Chuan?

Fu Qing Quan – Sim, foi o Governo da Republica da China que em 1949 atribuiu os nomes às diferentes variações de Tai Chi. Nessa altura, em reunião com os vários representantes dos diversos Estilos de Tai Chi, foram reconhecidos os seguintes estilos: o Yang Tai Chi, o Wu / Hao Tai Chi, o Wu Tai Chi, o Sun Tai Chi e o Chen Tai Chi. Este último, devido ao facto de Chen Fake, também, ter estado presente nessa reunião, a título de ser neto de Chen Chan Hsing, pelo que a partir dessa altura, o estilo da aldeia de Chen Jiagou passou a ser reconhecido como Chen Tai Chi.

Nelson Barroso – James, coloquemos, agora, um pouco de lado a história do Tai Chi e falemos sobre a finalidade do Tai Chi nos dias de hoje. Inúmeras pesquisas apontam o Tai Chi como uma modalidade de especial importância para a saúde. Qual é a tua opinião?

Fu Qing Quan – Efectivamente o Tai Chi Chuan é uma excelente modalidade para a saúde das pessoas. O Tai Chi não só é bom para o corpo, como, também, o é para a mente e o espírito.


Na filosofia das Artes Marciais considera-se de extrema relevância o corpo. Primeiro, devemos preparar o corpo para o dia a dia, fortalecendo-o para que no Futuro possamos ter uma boa qualidade de vida. Eu, no Tai Chi, ensino primeiro a forma de Punhos (Forma de 108 movimentos), depois as armas, depois o Tui Shou e por último, Fa Jing.

Nelson Barroso: O objectivo do Tui Shou é o combate?

Fu Qing Quan – Não, isso são criações da era moderna. O objectivo do Tui Shou é sentir o corpo, escutar o corpo, sentir a energia. O Tui Shou é parte integrante do treino de Tai Chi Chuan.

Nelson Barroso: E as armas são usadas para o treino de combate?

Fu Qing Quan – Actualmente não. As armas são treinadas com o objectivo de passar a energia para o teu corpo e não são usadas para o combate como o eram antigamente.

Nelson Barroso: E o Fa Jing?

Fu Qing Quan – O Fa Jing é treinado com o intuito de desenvolver a energia interna, a força interior. Há pouco falaste de Saúde e nessa linha de pensamento, devemos primeiramente trabalhar a forma de Punhos para manter o corpo saudável, depois Tui Shou, as Armas, e finalmente, Fa Jing que por sua vez irá magoar o corpo, pelo que tens que voltar ao princípio e voltar a treinar a forma de punhos para curar o corpo. Isto é Tai Chi; Yin-Yang.

Nelson Barroso: Como posso treinar Tai Chi para Combate?

Fu Qing Quan – Para treinares Tai Chi para combate, deves treinar muito Fa Jing, mas, só o podes fazer, quando o teu corpo estiver preparado. Se a tua base não for forte, o teu Fa Jing não presta, então o teu combate, também, será fraco. Por isso pratica bem a base.

Nelson Barroso: E o que significam as oito energias no Tai Chi?

Fu Qing Quan – O Tai Chi compõe-se de 8 energias e de 5 direcções que perfazem na sua globalidade os 13 movimentos de Tai Chi, como por vezes, também, é conhecida esta arte.

As oito energias são a base do Tai Chi, indica-nos a correcta posição de cada movimento, estando sempre presentes na forma. Em determinados movimentos poderemos usar mais do que uma energia. Poucas pessoas conhecem as oito energias do Tai Chi.

Ou melhor, de nome todos as conhecem, mas, executá-las na prática é mais difícil, pelo que a maioria dos praticantes inventa e arranja sempre uma aplicação distinta para cada movimento. Claro está que isso não está correcto e logo a aplicação não é efectiva. Sabes, por exemplo, no movimento de “Tocar o Alaúde” estão presentes três energias distintas. Quanto às oito energias, as primeiras quatro executam-se em linha recta e as restantes executam-se na diagonal.

Nelson Barroso: Sendo, assim, porque motivo nalguns livros é referido que a energia X vai para Norte, a energia Y para Oeste, etc.?

Fu Qing Quan – Isso são tudo invenções para escrever livros. Já te disse que muitos dos que escrevem livros sobre Tai Chi, não entendem nada sobre o assunto.

Nelson Barroso: Porque razão os alunos de Chen Man Ching executam os movimentos sem energia, aparentando um ar moribundo?

Fu Qing Quan – Não sei. Uma vez, aquando duma viagem aos Estados Unidos com o meu avó, um aluno trouxe uma cassete de Chen Man Ching e o meu avô quis vê-la. No fim disse:- “Não está assim tão mal, faz muito melhor que os alunos”. Os alunos parecem não ter vida. Os alunos deste mestre em Taiwan, Singapura e Malásia, executam a prática de Tai Chi de forma muito mole, sem força, sem vida. Devemos fazer Tai Chi com Firmeza, devemos ter espírito, presença na forma. Expressando Suavidade, mas com agulhas dentro, agulhas envolvidas em algodão, pois isso é Tai Chi – Mien Chuan (Punho de algodão).

Nelson Barroso: O Tai Chi é circular. Quando fazemos um movimento devemos pensar que estamos a segurar numa bola.

Fu Qing Quan – Não, o Tai Chi não é uma “pizza”, O Tai Chi é uma bola. Quando executas Tai Chi, não deves pensar que seguras numa bola, mas, sim que és parte integrante dessa bola. O Tai Chi é uma arte que se executa em três dimensões e não numa dimensão ( “Tai Chi is not one D, Tai Chi is three D”).

Nelson Barroso: Muito obrigado James, o dia já está quase a nascer, pelo que será melhor continuarmos esta entrevista no próximo mês de Julho em Shanghai.
Eram quase cinco horas da manhã e eu não aguentava mais a sonolência e a exaustão que me envolviam, após um dia árduo de treino de Tai Chi. No entanto, James continuava com a sua boa disposição de sempre, rindo constantemente e demonstrando algumas técnicas ao meu colega José Gago que ia servindo de “sparring”.

Fiquei muito impressionado com a sua força de pernas, com a flexibilidade e agilidade dos seus movimentos, associados a um corpo em equilibrio, bem fixo e ao mesmo tempo pleno de suavidade. É deveras um grande Mestre de Tai Chi Chuan, um dos melhores Mestres da actualidade.

Mestre Fu Qing Quan na postura de "Xia She /Serpente Entra na Cova"

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

GENUINIDADE NO ENSINO DE TAI CHI CHUAN E CHI KUNG EM PORTUGAL

CHINARTE ARTES DA SAÚDE


-Ensinamos o Autêntico Tai Chi Chuan Tradicional de linhagem directa da Família Yang

- Ensinamos Chi Kung Tradicional de um dos mais famosos estilos da China

- Oferecemos um Projecto Educativo diferente que associa o Melhor Sistema de Aprendizagem

- Proporcionamos em Portugal e na China Cursos supervisionados pelos melhores Mestres Mundiais de Tai Chi Chuan e Chi Kung

- Facultamos os melhores métodos didácticos e pedagógicos nesta área com suporte técnico válido e eficaz (livros, sebentas, vídeos, etc.)

- Formação Presencial com complemento Elearning para fomentar o estudo contínuo e o aperfeiçoamento dos conhecimentos apreendidos, possibilitando uma evolução na aprendizagem mais rápida e eficaz

- Editamos livros e DVD’s técnicos para quem deseja aprofundar o estudo destas especialidades

- Publicamos assiduamente artigos sobre Tai Chi Chuan e Chi Kung

- Realizamos em Portugal Cursos de Especialização Intensivos que visam o aprimoramento das competências no desempenho das práticas de Tai Chi Chuan e de Chi Kung, quer numa perspectiva de Desenvolvimento Pessoal, quer de incentivar a Formação Contínua das habilitações como Monitor/Instrutor de terceiros nas diversas vertentes:


• Arte Marcial
• Promoção e Prevenção da Saúde
• Aplicação Terapêutica Complementar
• Prática Desportiva e/ou Lúdica

- Missão, Formar e Educar indivíduos altamente qualificados que se diferenciem pela Excelência no Ser, Estar e Fazer.

w w w . c h i n a r t e . c o m

A Prestação de um Serviço de Qualidade
A Excelência na Formação Profissional

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

As Dores nos Joelhos e a Prática de Tai Chi Chuan


por Nelson Barroso (Mestre de Yang Tai Chi Chuan Tradicional)

Este artigo visa elucidar e aconselhar os inúmeros adeptos de Tai Chi Chuan, Chi Kung, Kung-Fu e de outras modalidades no âmbito das Artes Marciais, que nalguns casos, apresentam frequentemente sintomas de dor nos joelhos.

A dor nos joelhos pode ter origem em diversos factores, tais como, posturas incorrectas aquando da prática, a forma anatómica que não permite a boa execução da postura ou a deformação dos tendões. Estes factores podem derivar de diversas situações, associadas, quer a uma prática desportiva intensa, quer ao sedentarismo. Por outro lado é de extrema importância que a prática destas actividades seja supervisionada por um professor experiente e conhecedor das técnicas que se devem desenvolver.

Julgo ser relevante na abordagem deste tema, aprofundar anatomicamente esta área do corpo humano, para que possamos compreender como pode suceder esta sintomatologia.
O joelho é uma articulação complexa, a qual reune três ossos, respectivamente, fêmur, tíbia e patela. Esta articulação tem dois graus de liberdade de movimento - flexo-extensão e rotação, e três superfícies que se articulam, as articulações tibiofemural medial, tibiofemural lateral e patelofemoral, as quais estão encerradas dentro de uma cápsula articular comum.

Funcionalmente, o joelho é capaz de suportar o peso corporal na posição erecta sem contracção muscular; O joelho, também, participa em inúmeras funcões no nosso quotidiano, como por exemplo, no simples acto de nos sentarmos, quando rodamos o corpo ou simplesmente, caminhamos. Sabia que na simples marcha, hoje tão em voga, o joelho normal reduz o dispêndio de energia ao diminuir as oscilações verticais e laterais do centro de gravidade do corpo, enquanto sustenta forças verticais que se aproximam quatro a seis vezes do peso corporal. São de facto, múltiplas as funções que normalmente são da responsabilidade dos joelhos, tais como:

• Resistir a grandes forças;

• Proporcionar estabilidade e uma elevada amplitude de movimento que são obtidas de forma excepcional;

• A mobilidade que é provida em conjunto com os tecidos moles, respectivamente:
o Ligamentos - Ligamento Colateral Lateral, Ligamento Colateral Medial, Ligamentos cruzados anterior e posterior e Ligamento transverso;
o Músculos - Quadrícepes que realizam o movimento de extensão, Bícepe Femural que realiza a flexão e a rotação lateral, Semitendinoso e Semimembranoso que realizam a flexão e a rotação medial;
o Cartilagem - Meniscos.

Por vezes o desgaste das articulações dos joelhos ou a inflamação de tendões ocorre devido ao uso continuado ou exagerado de exercícios que sobrecarregam esta área do corpo. Há minúsculas rupturas das fibras que compõem os tendões, levando a uma reacção inflamatória local e posterior cicatrização. Com a repetição do esforço (caminhada, corrida em piso de cimento, Kung-Fu, Pilates, Tai Chi, etc.) podem originar-se "rasgões" nos tendões, com variadas repercussões, que poderá associar-se a sintomas que vão da simples dor ao desgaste total. A falta de líquido na cartilagem, também, pode ser um problema. Esta é uma das causas mais comuns, "joelho seco" conhecida por periartrite do joelho que se torna bastante doloroso.
Como eu sempre digo no Tai Chi, devemos efectuar os exercícios de forma intensa, mas nunca ultrapassando o limite, e precavendo qualquer postura incorrecta. Ao efectuarmos um exercício com posturas fortes e suaves, contribuímos para o fortalecimento dos ligamentos cruzados dos joelhos (anterior e o posterior), os quais conferem controlo e estabilidade do joelho durante os movimentos de flexão e extensão. Estes ligamentos situam-se no centro da articulação, formando uma cruz. O ligamento cruzado anterior controla o movimento para frente da tíbia sobre o fêmur e o ligamento cruzado posterior controla o movimento para trás. Os músculos que movem o joelho, particularmente o grupo do quadrícepedes, contribuiem consideravelmente para a sua estabilidade e podem compensar até certo ponto o ferimento ligamentoso. Por isso, chamo a atenção para o facto de ser de extrema importância praticar uma modalidade desportiva que tenha na sua origem principios correctos e que tenham sido estudados e desenvolvidos, com o intuito de favorecer uma prática saudável, promovendo o bem-estar fisico, mental e emocional.

A CHINARTE representa há diversos anos em Portugal a Escola Tradicional de Yang Tai Chi Chuan – World Yang Tai Chi Chuan Federation – e como Formador e praticante desta modalidade, posso atestar que este estilo de Tai Chi Chuan promove a aprendizagem correcta, focando a necessidade de executar os movimentos de forma lenta e harmoniosa, seguindo os principios do Yin / Yang (Cheio / Vazio), o que possibilita em larga medida o fortalecimento dos quadricipes e estimula uma maior irrigação sanguínea na área dos joelhos.

Contrariamente, a prática de Tai Chi Moderno que é desprovida do principio Yin / Yang, tal como no sedentarismo, ou nos que apenas praticam a caminhada, não promove o desenvolvimento dos quadricipes, mantendo ou gerando a atrofia destes músculos, o que consequentemente, virá a provocar o aparecimento de dores agudas e patologias orgânicas nos joelhos. Nos casos de dor aguda aconselho a aplicação de frio para eliminar a inflamação do joelho, podendo usar-se a hidroterapia (crioterapia, se a dor for muito aguda). Nos casos de dor crónica a Acupunctura tem resultados muito eficazes, aliviando de imediato a dor. Por outro lado, é muito importante reforçar a estrutura muscular, pelo que de forma gradual devem efectuar-se exercícios que fomentem o aumento da amplitude dos movimentos e desta forma, permitem fortalecer paulatinamente as pernas. Práticas, como por exemplo, o Kung Fu não são aconselhadas nesta fase, porque os movimentos são muito rápidos e não garantem a estabilidade desejada.

Assim, aconselho todos os praticantes de Artes Marciais ou Desportistas em geral, a fortalecerem gradualmente as articulações dos joelhos, o que poderão fazer com a execução adequada da Forma de Yang Tai Chi Chuan Tradicional e com a prática de determinados exercícios de Chi kung ou simplesmente, com a prática de alguns exercícios que no parágrafo seguinte exponho.
Podem efectuar-se exercícios isométricos e técnicas de mobilização passiva - Técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptivas (PNF), exercícios de resistência com peso. Isto quer dizer que os exercicios deverão ser executados de forma lenta e com paragens em dadas posições, mantendo a postura num periodo minimo de dois minutos.
Alguns dos exercícios que se podem praticar são:
1) Encostar as costas numa parede e flectir as pernas, como se estivesse sentado, mantendo as pernas num ângulo de 90º entre a coxa e a perna e permanecer estático nesta postura durante 2 minutos. Pode começar por efectuar este exercício inicialmente durante 15 segundos e ir aumentando a duração do exercício gradualmente até atingir 2 minutos.
2) Estender a parte posterior do corpo no solo e flectir as pernas. Uma segunda pessoa pressiona para baixo as pernas e o individuo que faz o exercício tenta aguentar o máximo de tempo possivel. Seguidamente, deve relaxar, estendendo as pernas suavemente.
Existem muitos outros exercicios para o fim que aqui assinalo, mas fundamentalmente, o que importa é fomentar a musculação das pernas para que os joelhos tenham estabilidade e possam suportar os movimentos menos correctos que possamos efectuar com a prática do desporto, seja de que tipo for.
O Tai Chi é uma modalidade para a saúde, que pode ser física e mental. Mental se efectuarmos um exercicio lento e harmonioso sem esforço físico, apenas buscando o relaxamento da mente e paz de espirito, estado que em geral todos procuramos, só que esta fase é muito perigosa, pois pode conduzir-nos para caminhos que não sabemos interpretar e entender, à luz do actual conhecimento, e consequentemente, entramos no campo do misticismo. Por outro lado o Tai Chi é uma prática fisica, se praticarmos esta modalidade apenas com o intuito do fortalecimento dos músculos, o que por vezes pode ser grave, porque podemos cair na tentação de querer ultrapassar todos os nossos limites, os quais podem ser inacessiveis para a nossa estrutura corporal. O ideal na prática de Tai Chi é obter um equilibrio entre o físico e a mente, fazer Tai Chi no limite da força muscular e relaxar com "os olhos abertos", Mente Desperta e Consciente, Concentrada e Vigilante. É este equilibrio que define o Autêntico Tai Chi. É este equilibrio que todos procuramos e que as pessoas geralmente pensam que um Mestre lhes pode dar. No entanto, um Mestre apenas pode guiar no caminho que pensa ser o mais correcto. O equilibrio individual tem que ser descoberto pelo próprio.
A Serenidade e a Paz Interior surgem de forma natural quando conseguimos encontrar o nosso próprio equilibrio para obter o Bem-Estar fisico, mental e emocional.

Como se deve desenvolver uma aula de Tai Chi Chuan?



por Nelson Barroso (Mestre Yang Tai Chi Chuan Tradicional)



O Tai Chi Chuan é constituído por uma série de movimentos, que são executados de forma lenta e graciosa gerando uma série de benefícios a nível físico e emocional.

A aprendizagem da Arte de Tai Chi Chuan deve obedecer a uma metodologia e técnica específicas, de modo a proporcionar a todos os praticantes uma evolução na prática e a obtenção de inúmeros benefícios, quer a nível físico, quer psíquico.

O desenvolvimento de uma aula de Tai Chi Chuan deve dividir-se em três partes. Na parte inicial da aula deve executar-se uma série de exercícios, cuja prática se denomina “Chi Pang Kung” e que consiste na execução de exercícios / movimentos de forma isolada ou conjunta, os quais quando agregados numa sequência organizada, ordenada e executada de forma continua e fluida caracteriza a sequência de Movimentos que denominamos por Tai Chi Chuan. Assim, na parte inicial da aula de Tai Chi Chuan a execução repetida destes movimentos, possibilita ao praticante activar a energia de todo o corpo, bem como obter a evolução do seu aperfeiçoamento técnico. Somente através de uma prática regular e da repetição de movimentos é que se poderá usufruir dos inúmeros benefícios do Tai Chi Chuan. A execução correcta dos movimentos é muito importante, pois possibilita que a energia flua livremente no corpo, e deste modo se crie uma “armadura”, de tal forma impenetrável que nos ajudará no combate e prevenção dos factores patológicos, fomentando a manutenção e o desenvolvimento da nossa saúde.

Na Parte Intermédia da aula deve executar-se a Forma de Tai Chi Chuan ou seja a sequência global de movimentos, que deve fluir de forma contínua, suave e relaxada, mas simultaneamente com uma certa tonicidade muscular e firmeza da energia. A execução desta série ordenada de exercícios demora aproximadamente 20 minutos. Quando o praticante atinge um nível superior na prática de Tai Chi Chuan, esta sequência dinâmica de movimentos denomina-se “Meditação em Movimento”.

O final da aula de Tai Chi Chuan é geralmente composto por uma série de exercícios de Meditação estática que desenvolvem o equilibrio e harmonia dos níveis energéticos nos planos físico e mental.

Na prática de Tai Chi Chuan é vital que os movimentos sejam contínuos e haja um controlo adequado da respiração, para que em movimento surja a meditação e desta forma consigamos fortalecer e fomentar a energia do corpo físico e acalmar e serenar a mente.

Assim. o Tai Chi Chuan consiste numa sequência ordenada de movimentos que é executada de forma contínua, fluida e ininterrupta. A sua função terapêutica reflecte-se no todo e não num exercício em particular.

Actualmente, muito do Tai Chi Chuan que se pratica no Ocidente não é na sua essência Tai Chi, uma vez que este não consiste apenas em exercícios estáticos ou que tendo alguma dinâmica, não associam a continuidade do movimento, à concentração da mente. De facto o Tai Chi Chuan não é apenas exercício lento, é uma arte que tem uma técnica específica, movimentos específicos que devem ser executados de forma adequada. Se tal não ocorrer a autenticidade da prática de Tai Chi Chuan deixa de existir e pratica-se apenas mais uma mera actividade física.
Existe muita confusão entre os conceitos de Tai Chi e Chi Kung. O Chi Kung visa desenvolver a energia, literalmente significa o “trabalho ou cultivo da energia (Chi)” e podemos dizer que o Tai Chi Chuan se inclui como uma forma de praticar Chi Kung, mas é específico na sua essência. Existem muitos tipos de Chi Kung, vários sistemas, várias Escolas Tradicionais e Modernas. Na prática de Chi Kung podemos trabalhar apenas um dado exercício ou movimento continuamente, ou praticar um conjunto de exercícios de forma sequencial e contínua, mas tal não é Tai Chi. Convém esclarecer que no treino de Tai Chi Chuan, aquando da aprendizagem inicial e no aperfeiçoamento dos alunos mais avançados, se pratica o Chi Pan Kung que consiste na repetição continuada de dado movimento técnico de Tai Chi Chuan. Por outro lado, também, se podem praticar exercícios de Chi Kung para fortalecer o corpo e a mente, mas estes diferenciam-se dos movimentos de Tai Chi Chuan.

domingo, 12 de setembro de 2010

Especialização na Forma de Espada (51 Movimentos)

Curso Intensivo de Yang Tai Chi Jien

Objectivo Geral
O curso visa facultar a prática intensa dos movimentos da Forma Yang de Tai Chi e a aprendizagem da Forma de Espada (51 Movimentos).

Destinatários
Praticantes de Tai Chi Nível Avançado

Requisitos Básicos
Conhecedores da Forma Yang Tradicional (85 Movimentos) e experiência na prática de Tai Chi Chuan, incluindo o treino das formas de armas (espada e/ou sabre).

Limite máximo de Inscrições: 8 Participantes
(Nota Importante: As inscrições pagas antecipadamente terão prioridade, uma vez que por vezes se registam desistências de última hora)


PROGRAMA DO CURSO
• Estudo da Forma Yang Tradicional
• Princípios de Li Tié e Jin Tié nos movimentos do Tai Chi
• Forma de Espada (51 Movimentos)


Formador Responsável: Mestre Nelson Barroso

Datas e Horários do Curso:
1 de Outubro 2010: 20:00h às 22:30h
2 de Outubro 2010: 10:00h às 13:00h e 16:00h às 19:00h
3 de Outubro 2010: 10:00h às 13:00h

Local: CHINARTE – Viana do Castelo


terça-feira, 7 de setembro de 2010

E foi assim o Curso de Yang Tai Chi Fajing Gong...

por Nelson Barroso

(Leia os comentários de participantes no final do artigo)

Decorreu nos dias 3, 4 e 5 de Setembro de 2010 o Curso Intensivo de Yang Tai Chi Fajing Gong, o qual foi promovido e organizado pela CHINARTE, Instituição de Formação pela qual sou responsável. Atendendo ao sucesso obtido no que respeita à satisfação dos participantes quanto aos objectivos inicialmente visados, ciclicamente organizar-se-ão outros cursos neste âmbito.


Este curso (http://portugalchikung.blogspot.com/2010/08/curso-fajin-gong.html foi direccionado a um grupo de praticantes de nível avançado e visou realçar a essência marcial da prática do Autêntico Tai Chi Chuan, facultando o desenvolvimento de competências no âmbito da prática pessoal e da capacidade técnico-pedagógica direccionada à monitorização de terceiros. Contudo, uma vez que o programa desenvolvido no curso se revela interessante para a evolução na prática, serão fomentados cursos direccionados para praticantes de nível intermédio. Estes cursos terão sempre como limite máximo de inscrição: 10 alunos, de modo a permitir uma prestação de serviço personalizada, com os consequentes benefícios que daí resultam para todos os intervenientes no processo de aprendizagem. O Tai Chi Chuan na actualidade apresenta diversas vertentes de prática, refiro-me, aos diversos estilos que existem, bem como às respectivas vivências e formas de estar. Por isso, é vital esclarecer o público em geral que desconhece a verdadeira essência desta Arte Marcial Chinesa, incluindo muitos daqueles que se intitulam grandes conhecedores desta Arte.


A aprendizagem do Autêntico Tai Chi Chuan transcende a mera memorização de uma sequência de movimentos, a qual denominamos por forma. Importa que cada postura integre o(s) movimento(s) e a(s) energia(s) adequadas e a perfeição neste desempenho não tem fim, pois é desenvolvida ao longo dos anos de prática. O estudo do Fajing Gong (Trabalho de Fajing) impõe o aprimoramento da prática de Tai Chi Chuan, pois a sua optimização obriga ao aperfeiçoamento das posturas e movimentos e consequentemente das energias desenvolvidas. Importa assim conhecer a forma correcta de colocar o corpo e o trabalho que foi desenvolvido empiricamente ao longo de anos pelos Grandes Mestres desta Arte e que hoje, ao nível do pensamento cartesiano Ocidental podemos entender com base em conceitos da Biomecânica. Mas a teorização destes conhecimentos, sendo útil, é insuficiente para entender esta realidade marcial e somente o treino intenso e assíduo, sob supervisão adequada, possibilitará uma progressão válida na prática de Tai Chi Chuan.
O Autêntico Tai Chi Chuan expressa Força e Sensibilidade Integradas e não somente beleza de movimentos, a qual na maioria dos casos é vazia de conteúdo marcial e apenas se conota com um bailado de movimentos. A CHINARTE agradece a todos aqueles que participaram neste curso o profissionalismo e empenho demonstrados e o espírito de companheirismo que revelaram.

Viva o Autêntico Tai Chi Chuan
CHINARTE / Portugal Yong Nian Tai Chi


Apresentam-se seguidamente alguns comentários de participantes neste curso, os quais revelam a sua satisfação, o que é motivo de grande regozijo pessoal e um incentivo para continuar a promover a divulgação desta arte tradicional e genuína.

COMENTÁRIOS:

"El entrenamiento de taichi kungfu es de lo más fuerte que hay en artes marciales. Este curso ha sido muy tecnico e intenso, uno de los entrenamientos más duros que he realizado hasta la fecha". Las personas no saben lo que és el Yang Taiji, se praticado de forma autentica és muy fuerte. Me he quedado muy satisfecho del rendimiento del curso. Nos vemos en el curso de Espada el mes que viene.” (Carlos Lema, Espanha)


“Achei o curso de Fajing Gong espectacular. Sem dúvida um dos melhores cursos de sempre, sendo que os cursos que desenvolves têm sempre um nível muito elevado nos diversos aspectos que os caracterizam. Mas, de facto, este curso excedeu as expectativas e foi excepcional: um profissionalismo e uma mestria incomparáveis (domínio da técnica, capacidade formativo-pedagógica, plasticidade do treino gerando associação entre a aplicação marcial e os exercícios, etc.); um espírito de companheirismo de cinco estrelas; todos os objectivos superados.
Muito obrigada pelo empenho que revelas e por nos ajudares a melhorar continuamente nesta arte.
Desejo que a genuinidade desta arte possa ser divulgada a públicos mais amplos e que tenhas o sucesso que mereces.” (Diana Roque, Coimbra)


“Confesso que não fui muito confiante para o curso, pois embora reunisse os conformes exigidos pelo Mestre Nelson, ou seja ser praticante de Tai Chi há alguns anos, e saber executar toda a forma Yang (85 movimentos), pensei que seria demasiado para mim, pois sou uma praticante com 66 anos e pensei que teria de ter uma grande força para lutar com os outros participantes, até pensei que teria de ir ao chão e não me agradava nada mesmo. Mas mesmo assim arrisquei e lá fui em direcção à Chinarte.
Aconteceu o que não esperava mesmo, gostei muito fazer este curso, pois o que aprendi e senti no meu corpo deitou por água abaixo as minhas expectativas. A explosão de energia interna para o exterior, sem esforço físico aparente. Foi mesmo um sucesso aprender com o Mestre Nelson esta forma de Fajin. Por outro lado o facto de ser feito num local apropriado com uma boa energia em nosso redor contribuiu para o sucesso deste curso. Da minha parte quero agradecer ao Mestre Nelson e não só, também, aos meus colegas pela boa disposição e disponibilidade em me ajudarem a ultrapassar as minhas dúvidas.
Obrigada e espero que hajam mais cursos de formação deste género.” (Josefina Lourenço, Lisboa)


"É com muito agrado que partilho com quem me estiver a ler a experiência do fim-de-semana de prática de Fajin.
Confesso que foi com o entusiasmo de sempre que apanhei o expresso em companhia da querida amiga Josefina, de Lisboa em direcção a Viana do Castelo, cidade que me encanta desde a primeira visita.
A expectativa de poder aperfeiçoar a forma de 85 e praticar Fajin enchia-me de satisfação pois adivinhava um fim-de-semana árduo e pleno de Tai Chi. E assim foi, o nosso mestre Nelson Barroso, uma vez mais com a sua experiência de longa prática pedagógica, e profundo conhecimento da arte do Tai Chi foi-nos levando passo a passo para a prática de Fajin, que podemos traduzir resumidamente por “explosão de energia”, paciente e diligentemente, procurando o melhor de cada um de nós, corrigindo-nos e incentivando-nos ao rigor da arte.
Para não me alongar muito, direi que sou da opinião de que a prática regular dos exercícios e da Forma de Fajin para além do prazer e dos benefícios terapêuticos que nos proporcionam pelo trabalho em profundidade dos músculos, tendões, articulações e órgão internos, permite-nos uma maior compreensão e aprimoramento da Forma Longa do estilo Yang que praticamos.
Assim sendo, só me resta agradecer uma vez mais ao amigo e Mestre Nelson Barroso pela enriquecedora prática desse fim-de-semana assim como aos queridos companheiros pela companhia e partilha de experiências que tornaram o curso ainda mais agradável e proveitoso esperando por novas oportunidades de aprendizado e são convívio " (João Pedro Costa, Lisboa)


Excerto da Forma Yang Tai Chi Fajing Gong

domingo, 29 de agosto de 2010

CURSO TAI CHI FAJIN GONG

Torne-se num exímio praticante de Tai Chi Chuan, aprenda a essência da Arte!


Através do estudo da “Forma Tai Chi Fajin Gong” entenderá melhor os movimentos da Forma Yang (Forma 85) o que certamente lhe dará um impulso no desenvolvimento pessoal da técnica do Tai Chi Chuan.

O Fa Jin é a explosão e emissão de energia interna para o exterior que ocorre como uma descarga brusca de energia, sem esforço físico aparente. Nas demonstrações de Chi Kung e de Tai Chi Chuan realizadas por Mestres de Chi Kung Marcial e Tai Chi Chuan Marcial é bem visível a aplicação do conceito de Fa Jin.
O Fa Jin é a prova real de que a prática de Tai Chi Chuan gera energia e força interna e a armazena. O Tai Chi Chuan é o método que produz a força interna e o Fa Jin é o processo pelo qual essa força é libertada para o exterior.


PROGRAMA DO CURSO

- Definição e Objectivos Tai Chi Fajin Gong
- Fundamentos Básicos do Fajin: Sensibilidade e Força Integradas; Jin; Precauções na Prática
- Os 10 Exercícios de Fa Jin
- A Forma de Fa Jin
- Forma Yang Tai Chi

A Forma “Tai Chi Fajin Gong” consiste num Grupo de Exercícios de Fajin do sistema de Tai Chi Chuan da Escola Yang Tradicional que visa vários objectivos, entre os quais:

1. Sistematizar a sequência de treino de Tai Chi Fajin Gong, adaptando o método tradicional de aprendizagem à realidade actual.

2. Optimizar o potencial marcial da prática de Tai Chi Chuan que advém da obtenção de competências nas técnicas de ataque e defesa com oponente e na aplicação de Fajin. A aprendizagem duma nova forma e a sua prática repetida, favorece o desenvolvimento dos objectivos visados por esta, nomeadamente, o bom desempenho da prática de Fa Jin.

3. Criar um novo método de trabalho que permite atrair as camadas mais jovens da população em geral, para assim atrair um maior número de novos adeptos a esta modalidade, especificamente, no que respeita ao Autêntico Yang Tai Chi Tradicional, representado exclusivamente na actualidade pela World Yong Nian Tai Chi Federation e pelos seus diversos ramos a nível Internacional, nos quais se inclui a CHINARTE / PORTUGAL YONG NIAN TAI CHI.

Formador: Mestre Nelson Barroso

Datas do Curso: 3, 4 e 5 de Setembro de 2010

Horários: Dia 3 (19:30h às 22:30h); Dia 4 (10:00h às 13:00h e 17:00h às 20:00h) Dia 5(10:00h às 13:00h)

Local: CHINARTE – Viana do Castelo

Inscrições: geral@chinarte.com


Excerto da forma Yang Tai Chi Fajing Gong (Mestre Nelson Barroso, Diana Roque e Carlos Felgueiras)

domingo, 22 de agosto de 2010

Código Deontológico da World Yong Nian Tai Chi Federation

By Diana Roque
O Código Deontológico da World Yong Nian Tai Chi Federation visa estabelecer as directrizes de actuação dos seus membros de modo a fomentar o bom desenvolvimento e evolução da prática de Yang Tai Chi Chuan, promovendo o enriquecimento das relações intrapessoais dos seus membros, bem como interpessoais, com base numa conduta ético-moral que se delineia de acordo com os seguintes princípios:
A Linha de Conduta da Familia Yang *
As Seis Felicidades de Fu Zhong Wen **
Os Quatro Princípios de Fu Sheng Yuan ***

A linha de conduta da Familia Yang estabelece que para desenvolver uma boa evolução na prática de Yang Tai Chi Chuan se devem fomentar:
Zhin (Diligência)
O trabalho intenso, árduo e esforçado é um pré-requisito para o desenvolvimento da habilidade na prática. A prática diária e assídua, trará como recompensa bons resultados.
Hen (Perseverança)
É importante que um sentimento contínuo, estável e durável no objectivo de desenvolver o Tai Chi seja cultivado. Este sentimento e intenção, conjugado com uma prática regular permitirá alcançar este objectivo.
Li (Respeito)
Respeitar o Mestre, o Professor e os Companheiros é de importância primordial. Relacionem-se com os outros, tendo em consideração os seus antecedentes, bem como as suas expectativas. O respeito mútuo serve para enfatizar um sentimento de comunidade e solidariedade numa sociedade, na qual os indivíduos se devem respeitar mutuamente.
Zhen (Sinceridade)
Uma atitude sincera e motivada é um dos pré-requisitos para a aprendizagem de Tai Chi Chuan. De modo a alcançar uma boa prática, é necessária uma determinação genuína para obter esse propósito. Ao lidar com os outros, façam-no com sinceridade, se desejam que vos correspondam da mesma forma. Mantenham a sinceridade como primeira atitude a ter com os outros e alcançarão um fluir suave e harmonioso nas vossas relações.
Também, o Grão Mestre Fu Zhong Wen, pai de Fu Sheng Yuan estabeleceu algumas directrizes para promover o bom relacionamento com os outros e consequentemente, o desenvolvimento salutar da prática de Tai Chi, as quais são conhecidas como “As Seis Felicidades de Fu Zhong Wen”. Estas regras de actuação consistem em promover os seguintes comportamentos:
Ajudar os outros
A cooperação e o auxílio prestado aos outros proporcionam um sentimento de bem-estar e felicidade.
Fomentar a Bondade
Praticar o Bem, mantendo em todas as atitudes e acções uma Mente e Coração puros.
Ser Tolerante
Desenvolver a capacidade de aceitar a diferença, mesmo quando contrariam os costumes e hábitos sociais vigentes em dada sociedade, manifestando uma atitude de compreensão e respeito para com os demais indivíduos e culturas.
Ser Grato no Presente
O sentimento de gratidão proporciona uma sensação emocional de bem-estar a nível intrapessoal que se reflecte directa ou indirectamente nas relações com os outros, por isso é importante desenvolver esse sentimento no momento presente.
Desenvolver a Auto- Estima
A auto-estima representa a avaliação subjectiva que cada pessoa faz de si mesma, a qual pode ser positiva ou negativa. Assim, é importante que os indivíduos com uma baixa auto-estima fortaleçam este aspecto. Por outras palavras, fazer de si mesmo uma avaliação positiva significa aceitar e gostar de si tal como se é.
Praticar Tai Chi como uma Filosofia de Vida
Existem inúmeros métodos para evoluir como ser humano, entre as quais o Tai Chi apresenta-se como uma das vias que por excelência pode proporcionar o progresso no desenvolvimento pessoal, sendo um caminho, uma forma de alcançar a Felicidade.

Recentemente, o Grão Mestre Fu Sheng Yuan no âmbito do que naturalmente sempre fomentou ao longo da sua experiência de vida, apresentou quatro novos princípios com o intuito de complementar as regras de conduta já vigentes na Família Yang, bem como as anteriormente estabelecidas pelo seu pai, Fu Zhong Wen, os quais são respectivamente: Lealdade, Amizade, Rectidão e Humanidade.

Os princípios de Fu Sheng Yuan não são uma novidade pois integram os costumes da Família Fu desde sempre. Pessoalmente, tenho constatado que a postura do Grão Mestre Fu Sheng Yuan e do Mestre Fu Qing Quan perante os seus discípulos e alunos, bem como em geral com todos aqueles com que se relacionam, é um exemplo de convívio cordial. Bons anfitriões, expressam sempre satisfação no contacto com os outros, revelando uma simpatia genuína e uma alegria de viver contagiante. Essa forma de estar gera uma energia positiva que se revela na sua forma natural de estar e ser, sem preconceitos, onde todos podem ser o que são. Na minha última viagem a Shangai (Julho e Agosto de 2010) tive o privilégio de ouvir o Grão Mestre Fu Sheng Yuan falar sobre estes quatro princípios. Foi com base nesses relatos que fundamentei a definição dos Quatro Princípios de Fu Sheng Yuan, que espero ter conseguido isentar da minha interpretação pessoal das palavras do Grão Mestre. Assim, passo a expor os referidos princípios:

Zong (Lealdade)
A Lealdade é uma qualidade ou atributo de um indivíduo que numa determinada relação se manifesta e expressa leal ou fiel ao vínculo que se estabelece na mesma, o que significa que preserva e conserva as características originais do modelo tido por referência. Portanto, o conceito de lealdade ou fidelidade aplica-se num contexto duma relação entre dois indivíduos, mas também, na relação indivíduo /objecto.
Neste caso, a relação Mestre / Discípulo (ou estudante) e a relação que cada indivíduo (Mestre, discípulo ou estudante) estabelece com o objecto que os relaciona, respectivamente o conhecimento transmitido /recebido inerente ao Tai Chi mantendo a sua essência original, tal como ditado pelo Mestre.
Assim, ser leal e fiel ao Mestre e/ou ao conhecimento recebido deste, pressupõe respeitar e aceitar esse saber. A lealdade não decorre por auto-imposição ou obrigação imposta por terceiros, pois nessa situação não seria duradoura. Consequentemente, impõe-se que a relação se estabeleça no âmbito de uma confiança e afinidade mútuas, pois a qualidade lealdade surge naturalmente quando é fundamentada e sustentada com base num sentimento verdadeiro.
Confiar nos ensinamentos do Mestre gera a aceitação das suas directrizes, o que resulta numa conduta de respeito pessoal e perante terceiros que se expressa no apoio incondicional ao Mestre.

Ye (Amizade
O Grão Mestre Fu Sheng Yuan define como sendo essencial fomentar a amizade nas relações que estabelecemos com os outros.
O conceito de amizade pode ter várias conotações consoante o tipo de relacionamento humano que se estabelece entre dois indivíduos. Neste âmbito deve entender-se como uma relação interpessoal que se estabelece por laços de companheirismo que se fortalecem pela genuinidade na partilha de interesses mútuos e consequente espírito de entreajuda que se gera. Contudo, a amizade não pressupõe obrigatoriamente a afinidade de interesses, sendo um afecto que surge naturalmente por empatia com o outro.
A amizade ideal deveria integrar uma forma de estar e ser, na qual se reflectisse o seguinte:
• Nutrir e demonstrar simpatia e empatia pelo outro.
• Lealdade.
• Confiança.
• Honestidade e Verdade.
• Desejar o melhor ao outro.
• Aceitar o outro tal como é; não exacerbar os seus defeitos.
• Partilhar os bons e os maus momentos.
• Respeitar o espaço individual de cada um, pois a amizade não deve ser sufocante. Um amigo entende quais os momentos oportunos para estar presente.
• A verdadeira amizade assenta numa relação de amor genuíno; amamos os nossos amigos tal como são e não pelo que possuem.

De (Rectidão)
A rectidão é uma característica do carácter humano no âmbito da actuação moral e ética no que respeita aos comportamentos adoptados nos relacionamentos que um indivíduo estabelece, sendo-lhe implícitas as qualidades de lealdade e honestidade, bem como a conduta irrepreensível, ou seja que nunca prejudicará intencionalmente outrem, seja por palavras ou actos.

Ren (Humanidade)

A virtude, humanidade, consiste num conjunto de forças que tendem a promover o comportamento ou atitude de desejar ou agir em benefício dos outros. Assim, a humanidade associa-se directamente com três conceitos: o amor, a bondade, e a inteligência social. Consequentemente, à humanidade é, também, implícito o sentimento de altruísmo para com os outros.

Agora, importa que todos nós nos empenhemos em aprimorar o desenvolvimento das qualidades, virtudes e comportamentos acima assinalados. Certamente, atingiremos patamares mais elevados de perfeição técnica no desempenho da prática de Tai Chi, no nosso desenvolvimento pessoal e, muito importante, nas relações que estabelecemos com o mundo.

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*Os princípios da Linha de Conduta da Família Yang com base no Livro “Authentic Yang Tai Chi Chuan” do Grão Mestre Fu Sheng Yuan.

** As Seis Felicidades de Fu Zhong Wen conforme dados que recolhi através do relato oral do Mestre Fu Qing Quan - Ourense (Espanha), 15 de Junho de 2008.
***Os Quatro Princípios de Fu Sheng Yuan com base no relato oral do próprio – Shanghai, 1 de Agosto de 2010.

Coimbra, 22 de Agosto de 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

HUNG SING GWOON

By Diana Roque
(Membro Hung Sing Gwoon)

Hung Sing Gwoon é a denominação da Escola de Choy Lee Fut fundada por Chan Heung, a qual perpetuou até à actualidade, tendo sido transmitidos os conhecimentos ancestrais de geração em geração através da linha directa de descendência familiar do fundador. Nos nossos dias, o Mestre Chen Yong Fa, tetraneto de Chan Heung, representa a 5ª geração do sistema, sendo o Guardião do Sistema Choy Lee Fut.
O Mestre Chen Yong Fa nasceu na China em 1951, tendo iniciado o estudo das artes de Choy Lee Fut com quatro anos de idade sob supervisão do seu avô, Chan Yiu Chi. Após a morte do avô, Chen Yong Fa continuou os treinos marciais tendo por mestre o seu pai, Chan Wan Hon, o que ocorreu até à data da sua morte em 1979.
Actualmente, no âmbito da tradição familiar, o Mestre Chen Yong Fa detém a responsabilidade de propagar os ensinamentos de Choy Lee Fut. Para além de ser conhecedor de todo o sistema marcial das artes de Choy Lee Fut, Chen Yong Fa, também, herdou os registos históricos dos seus ancestrais, os quais documentam a história e a evolução do Choy Lee Fut, contendo a descrição detalhada de todas as formas e técnicas das artes de Choy Lee Fut.
O Mestre Chen Yon Fa é um artista marcial completo de elevada perícia técnica, sendo, ainda, um praticante qualificado de Medicina Tradicional Chinesa, graduado pela escola “ Kwangtung College of Traditional Chinese Medicine”.
O fundador do sistema Choy Lee Fut, Chan Heung, possuía uma clínica de Medicina Tradicional Chinesa na sua terra natal, King Mui, na qual para além de tratar os seus pacientes, também, ensinava a prática de Choy Lee Fut aos seus membros familiares, bem como a um número restrito de alunos eleitos fora do âmbito familiar. Este grupo privilegiado de alunos era denominado como Wing Sing Tong. Os seus membros deviam demonstrar dedicação, lealdade, disciplina e manifestar um voto de compromisso para com a Família Chan e o seu Jeung Mun Yan (Guardião). Assim, os alunos do grupo Wing Sing Tong tinham a obrigação de se esforçar para atingir níveis elevados da prática de Choy Lee Fut, seguir o código ético e moral familiar, treinar arduamente, apoiar incondicionalmente a escola Choy Lee Fut, expor e promover o sistema.
Em 1996 o 5º Guardião do sistema Choy Lee Fut, Mestre Chen Yong Fa criou a Wing Sing Tong Internacional. Os membros da Escola Choy Lee Fut Hung Sing Gwoon para obterem o nível de Wing Sing Tong devem demonstrar determinadas qualidades técnicas e humanas, enquanto membros da escola Hung Sing Gwoon.

A Escola Hung Sing Gwoon está representada em inúmeros países, nos quais existe uma representação oficial do sistema Choy Lee Fut sob alçada do Mestre Chen Yong Fa. Este sistema de artes marciais chinesas inclui o estudo e a prática de diversas artes marciais e culturais chinesas, entre as quais:
• Kung Fu
• Luohan Qigong
• Medicina Tradicional Chinesa
• Dança do Leão, bem como as actuações com o Dragão e o Unicórnio

A representação do sistema Choy Lee Fut da Escola Hung Sing Gwoon em Portugal divide-se em dois departamentos, respectivamente:

  • Departamento de Luohan Qigong a cargo do Mestre Wing Sing Tong Internacional Nelson Barroso (CHINARTE)

  • Departamento de Kung Fu a cargo do Mestre Wing Sing Tong Internacional Rolando Martins (NEIJIA)
Pessoalmente, aderi à prática de Luohan Chi Kung há alguns anos sob a supervisão do Mestre Nelson Barroso, o qual tem revelado ser digno do título de Wing Sing Tong Internacional, bem como de ser um dos quinze discípulos do círculo interno do Mestre Chen Yong Fa. Verdadeiramente, considero que o Mestre Nelson Barroso é um dos mais fiéis discípulos do Mestre Chen Yong Fa, atendendo à forma dedicada, empenhada, sincera e leal, com que tem promovido e propagado os ensinamentos que lhe foram facultados. A sua capacidade para se apresentar como uma extensão do seu Mestre no que respeita às artes de Choy Lee Fut, sem ser uma cópia, pois caracteriza-se por ser detentor de uma personalidade vincada própria, alia-se à sua plasticidade para interagir com a envolvência actual em que o mundo marcial e das artes da saúde se inserem. Consequentemente, o resultado é enriquecedor para quem tem o privilégio de iniciar e desenvolver a aprendizagem destas artes com o seu apoio. Tive, também, por várias vezes a oportunidade de presenciar e participar em cursos internacionais de Luohan Qigong sob a supervisão do Mestre Chen Yong Fa, o qual é, indubitavelmente, um exímio artista marcial, pela perícia, agilidade, destreza e domínio que revela em todas as técnicas de Choy Lee Fut. Mas, para além disso o Mestre Chen Yong Fa é um excelente conhecedor do comportamento humano nas diversas perspectivas que se lhe associam. Por isso, domina facilmente uma multidão de alunos, gerindo e controlando sempre da forma mais adequada os grupos que dirige, sentindo, escutando, olhando… sempre atento e vigilante e por isso, inconstante e mutante na sua acção de domínio de uma classe.
Existem neste momento em Portugal centenas de adeptos da prática das artes de Choy Lee Fut, mas apenas um número restrito se filiou em concreto como Hung Sing Gwoon. Lanço aqui um apelo a todos os amantes destas artes para que se incorporem na escola Hung Sing Gwoon, e espero que possam participar no próximo curso de Choy Lee Fut que se realizará em Novembro de 2010 em King Mui (China), coincidindo com a comemoração do 60º aniversário do Mestre Chen Yong Fa.
Coimbra, 20 de Agosto de 2010
Visualize o programa RETURN TO THE ORIGIN / Clique no link:

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Tai Chi Chuan - Origem e Actualidade

By Diana Roque


A origem do Tai Chi Chuan é um tópico controverso que incorpora uma multiplicidade de factores históricos que abrangem questões sociais, políticas e filosóficas da Cultura Chinesa. Os diversos factos históricos formam uma rede complexa de informação, cuja análise linear se torna confusa. Por esse motivo, e com o intuito de clarificar tanto quanto possível de forma nítida e estruturada as diversas teorias inerentes à origem do Tai Chi Chuan, julgo conveniente expor as mesmas segundo um modelo sistematizado que assenta em três teorias principais, as quais caracterizam o aparecimento do Tai Chi Chuan de forma distinta no que respeita as variáveis tempo e espaço e, obviamente, no que concerne aos personagens históricos envolvidos, associados à fundação desta arte.

Actualmente, uma das teorias mais consistentes defende que a origem do Tai Chi ocorreu nas Montanhas Wudang na Província de Wuhan (China), contudo alguns autores denotam que esta tese tem um forte cariz lendário, uma vez que muitos referem que o personagem que se lhe associa como fundador do Tai Chi, Chan Sen Feng, não teria existido na realidade. Esta ilacção resulta dos inúmeros relatos que se registaram ao longo dos tempos e que descrevem alguns episódios que terão tido por protagonista Chan Sen Feng, os quais variam entre o séc. XIII e o séc. XVII e por esse motivo, esta figura histórica para alguns e mítica para outros, é caracterizada como um imortal que detinha poderes especiais que teria obtido no cultivo da alquimia interna. No entanto, o Museu de Wushu da cidade de Wudang apresenta evidências de que este monge taoista terá de facto existido, e que foi sem dúvida o propulsor do desenvolvimento das artes marciais internas, com especial relevância para o Tai Chi Chuan. Este é um facto que tive oportunidade de constatar pessoalmente aquando de visita que efectuei ao citado museu no passado mês de Julho. O Mestre Chan San Feng enfatizava como meio primordial para alcançar a evolução interior, a obtenção da harmonia entres as forças Yin e Yang, seguindo as leis da Natureza, tal como sustentado pela Filosofia Taoísta, tendo desenvolvido a prática de meditação em consonância com a exercitação de movimentos impulsionados por uma energia interna que aprimorou através da prática de Tai Chi.

Uma segunda teoria apresenta o Tai Chi Chuan como sendo uma arte marcial desenvolvida em Chenjiagou, aldeia da Província de Hebei (China). Esta teoria tem sido defendida pela Família Chen que representa um dos Estilos Tradicionais de Tai Chi Chuan. A versão da Família Chen afirma que o Tai Chi Chuan terá sido desenvolvido em meados do século XVII pelo seu ancestral Chen Wang Ting, um general da dinastia Ming que combateu em Shaolin. Este facto poderia justificar as similaridades do Tai Chi da Escola Chen com determinados traços das práticas marciais desenvolvidas em Shaolin que se caracterizam como Artes Externas e consequentemente são sustentadas pela Filosofia Budista. Esta constatação é extremamente controversa, uma vez que é sabido que o Tai Chi Chuan tem por alicerce a Filosofia Taoísta.

Por último, existe uma terceira teoria que evidencia a importância de Yang Luchan (1799-1872) na história do Tai Chi Chuan. Yang Luchan nasceu na aldeia de Yong Nian, Província de Henan (China) (1799-1872) e foi um Mestre de Artes Marciais de elevado valor e perícia técnica, tendo sido conhecido como "O Invencível". Segundo relatos orais que recolhi junto do Grão Mestre Fu Sheng Yuan e do seu filho, Mestre Fu Qing Quan, os quais representam uma das linhagens da Escola Tradicional de Yang Tai Chi, respectivamente a 4ª e a 5ª geração, é indubitável que Yang Luchan era exímio na prática de Artes Marciais e que na sequência de diversas visitas intercaladas a Chienjiagou, num período de dezoito anos, pode aprender com Chen Chan Hsing a arte de Mien Chuan, o qual por sua vez a aprendera com Jiang Fa. Vários autores afirmam que Jiang Fa teria aprendido a arte de Mien Chuan com Wang Tsung Yueh, personagem que se relaciona com as Artes Internas desenvolvidas em Wudang. Contudo e de modo a ser fiel ao discurso oral transmitido de geração em geração no seio da Família Yang, segundo as palavras do Grão Mestre Fu Sheng Yuan, não existem certezas relativamente ao facto de Jiang Fa ter aprendido directamente a arte de Mien Chuan com Wang Tsung Yueh, pois provavelmente este não foi seu contemporâneio e pensa-se que de facto haverá um elo de ligação entre ambos, mas as personagens envolvidas não são conhecidas, pois não existem registos escritos, pelo que tudo o que possa ser dito ou escrito, apenas se podem considerar possíveis hipóteses. Mas, é um facto assente que a arte de Mien Chuan não era praticada pela Família Chen que na época apenas praticava o Pao Chui, uma Arte Marcial de Shaolin. O Mien Chuan já apresentava os 13 movimentos, respectivamente as cinco direcções e as oito energias.
A destreza e habilidade marcial de Yang Luchan tornaram-no famoso, de tal forma que foi convidado pelo Imperador a visitar a Corte Imperial em Pequim, tendo vindo a ser professor dos príncipes e da Guarda Imperial. Na Corte Imperial, aquando de uma das suas demonstrações da arte de Mien Chuan, o desempenho marcial de Yang Luchan foi comparado por Wong Tong He à harmonia do Tai Chi . Wong Tong He era um estudioso que detinha um conhecimento profundo da Filosofia Taoísta e ao constatar a capacidade de Yang Luchan para derrotar vários opositores de elevada reputação, escreveu:

“As mãos que possuem Taiji fazem tremer o mundo inteiro,
O peito que contém uma habilidade suprema, derrota uma multidão de heróis.”


Assim, Wong Tong He teve um papel primordial na identificação e associação do Mien Chuan com o Taiji (Tai Chi), uma vez que até ao momento em que este homem identificou por escrito a Arte de Yang Luchan com o Tai Chi, a sua arte era apenas conhecida como Mien Chuan e só posteriormente, a este facto veio a ser conhecida como Taiqiquan (Tai Chi Chuan), bem como todos os estilos que resultaram dos seus ensinamentos. Nessa altura o Tai Chi Chuan era apenas um e tal como o Fu Sheng Yuan e o seu filho, Fu Qing Quan, sempre referem, o Autêntico Tai Chi Chuan ainda é um só.

O Grão Mestre Fu Sheng Yuan refere muitas vezes a seguinte analogia ao sucesso e expansão da Arte de Yang Luchan:

“Yong Nian is the sea and Chienjiagou is the boat. As the water is getting higher and higher and the sea bigger and more powerful, the boat goes up and up, thus it becomes more and more visible”.

(Yong Nian é o mar e Chienjiagou o barco. À medida que a água sobe e o mar cresce e se torna mais poderoso, o barco sobe mais e mais, e por isso torna-se cada vez mais visível).

Com esta frase o meu Sifu pretende dizer que de facto sem Yang Luchan, hoje o Tai Chi não seria conhecido no mundo tal como é, pois este foi sem dúvida o responsável pela divulgação desta arte. Primeiro na Corte Imperial Chinesa e mais tarde através dos seus descendentes e seguidores por toda a China e pelo mundo, e relembro as palavras de Fu Sheng Yuan "...se a água do mar não subisse, o barco não seria visível.".

Existe, contudo, uma grande polémica quanto à veracidade das diversas teorias vigentes que se contrariam entre si, e este facto resulta da falta de documentos escritos fidedignos que possam comprovar a autenticidade histórica das mesmas. Assim, na ausência de provas históricas irrefutáveis e de modo a manter um espírito de prudência e sensatez, julgo que se devem expor as diversas versões, dando a conhecer as diversas perspectivas históricas e simultaneamente, lançando para a arena um debate saudável de questões inerentes à essência e definição do conceito original de Tai Chi Chuan à luz da evolução que sofreu no decorrer do século XX na China e no Ocidente e do desenvolvimento que se continuou a evidenciar na primeira década do século XXI que conduziu ao aparecimento de novas escolas e estilos.

A teoria da Família Chen foi sustentada e apoiada por muitos, o que resultou na colocação e exposição pública de uma placa de bronze em Chienjiagou que continha a seguinte gravação “Aqui nasceu o Tai Chi”. Todavia, recentemente esta placa foi retirada por ordem do Governo Chinês, o que demonstra a consciencialização para a necessidade de encontrar respostas válidas para um tema tão controverso. Por outro lado, em Yong Nian permanece exposta uma placa que refere “Yong Nian, O Lar do Tai Chi”, o que pode ser um facto indicador relevante.

Julgo que actualmente o que importa enfatizar é que o conceito de Tai Chi Chuan ultrapassa a essência original que o definia como uma Arte Marcial. Hoje, o Tai Chi é praticado, também, como um Desporto de Competição, bem como um método terapêutico de prevenção e promoção da Saúde e ainda como actividade lúdica, associando-se aos conceitos de Fitness e Wellness. O Tai Chi surge em pleno século XXI como uma Arte Marcial e um Desporto, e também, cada vez mais como uma Arte da Saúde. No entanto, não posso deixar de observar que pessoalmente considero que a verdadeira prática de Tai Chi exige a prática desta arte num âmbito marcial, o que exige um trabalho árduo no aperfeiçoamento contínuo das posturas. A prática marcial de Tai Chi Chuan apenas denota resultados após um trabalho de vários anos que não tem fim e, incorpora o leque das restantes perspectivas, ou seja, lúdica, desportiva e de promoção da saúde. Para além disso, o Tai Chi como Arte Marcial exige a supervisão de um Mestre experiente que comprovadamente tenha recebido esse conhecimento de uma linhagem tradicional fidedigna. Este é um conhecimento empírico transmitido de geração em geração que certamente pode ser aperfeiçoado e facilitado com novas técnicas de aprendizagem complementares, mas será sempre imprescindível o contacto directo com um Mestre fidedigno que para além de demonstrar que domina a prática, tem a capacidade de corrigir e direccionar positivamente a evolução dos seus estudantes.

A evolução nesta arte implica empenho pessoal, perseverança, sinceridade, humildade e gratidão pelos ensinamentos recebidos. Por isso, concluo este artigo expressando o meu reconhecimento e gratidão aos meus três Mestres de Tai Chi Chuan da Escola Tradicional de Yang Tai Chi, os quais têm desempenhado de forma distinta, mas insubstituível, um papel relevante na minha aprendizagem, nomeadamente, o Mestre Nelson Barroso, o Mestre Fu Qing Quan e o Grão Mestre Fu Sheng Yuan.


Coimbra, 19 de Agosto de 2010