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quarta-feira, 30 de março de 2011

Autêntico Yang Tai Chi: Promover é Preservar?

por Diana Roque



No actual contexto em que se desenvolvem as diversas práticas de Tai Chi, considerando os Estilos Tradicionais existentes, as suas ramificações, diversificações e variações, impostas pelas diversas linhagens que surgiram ao longo do último século, bem como as transformações associadas às directrizes das práticas de Wushu Moderno e ao despertar desta arte para novos designs e contornos de performance que se associam às terapias complementares e às artes contemporâneas de dança, o conceito de Tai Chi torna-se confuso, pois abarca uma panóplia multifacetada de actores, cenários e filosofias de ser, estar e fazer.

Levantam-se questões diversas quanto à história desta arte e em especial quanto à sua origem, esta última misteriosamente perdida no tempo! A sua história é colorida por uma teia complexa de enredos, contudo é certo que a sua base se alicerça na Cultura Chinesa e foi tecida num jogo tão pragmático, como incomum, transitando entre a sua essência marcial e o cultivo da arte de saber viver o crescimento interno, manifestando-se nas acções dos homens mais simples e comuns e expressando-se na poesia dos mais sensíveis, atraindo os mais brutos, mas também os mais cultos, enredando pobres e ricos… e por isso mesmo, revelando ser uma Arte digna de apaixonar todos os Homens… aqueles que eternamente buscam o desafio do desconhecido na batalha incessante de atingir a perfeição.


Não fora o tema por si mesmo já tão complexo, vem esta nota introdutória lançar ainda mais confusão nas mentes que gostam da simplicidade do não pensar e apenas desenhar o acto de praticar Tai Chi. Mas, a questão reside no que é o acto de praticar Tai Chi e por isso entendo ser necessária uma reflexão profunda sobre este tema. É certo que numa atitude democrática todas as versões devem ser aceites, melhor dizendo, respeitadas, e o que verdadeiramente importa são os benefícios que a prática de Tai Chi pode proporcionar, sejam quais forem as suas nuances de expressão externa e interna. Mas a democracia é muitas vezes subjugada pela hipocrisia e pela anarquia de interesses diversos e por isso considero que em determinadas circunstâncias, impõe-se, o proteccionismo e a preservação, se quisermos manter o elo que nos une em dada prática, neste caso, em dada forma de expressão da prática. Refiro-me, especificamente, à prática de Autêntico Yang Tai Chi e à necessidade em fomentar a compreensão e entendimento desta arte, diferenciando-a das práticas congéneres, e caracterizando e homogeneizando a prática dos que se dizem ser fieis à essência das directrizes da World Yongnian Tai Chi Federation.


O saber não tem fim e o incremento da cultura em qualquer área é sempre louvável, contudo, a preservação da autenticidade dos ensinamentos recebidos numa dada técnica, é mais que um dever, uma responsabilidade. Na fonte impõe-se a boa transmissão dos ensinamentos que o receptor deve respeitar, e desde logo deve evitar imiscuir com técnicas que em nada se relacionam com a essência da prática de Yang Tai Chi.


Promover a nossa arte é importante, mas essa promoção deve ser realizada com base na preservação da sua essência original, identificando e caracterizando a sua origem, história, acção, objectivos, intervenientes (linhagem) e prática interna e externa. Assim, é vital e imprescindível cultivar o aperfeiçoamento contínuo desta arte junto daqueles que fomentam esta cultura de ser, estar e fazer, lutando pela sua promoção, mas acima de tudo pela preservação da sua autenticidade. Importa incentivar a formação contínua e assídua de todos os instrutores habilitados não só na prática de Tai Chi Chuan, mas de todas as armas, Espada, Sabre, Bastão, bem como das práticas de Tui Shou e Fajing, mantendo a essência tradicional.


Aos Mestres apelo para que partilhem mais e mais conhecimento e não deixem morrer a riqueza da nossa linhagem, pois o conhecimento que não é partilhado de nada vale. Aos amantes da arte apelo ao empenho no aprimoramento e respeito pela arte. A todos apelo para que promovam e preservem a nossa Arte!


Coimbra (Portugal), 30 de Março de 2011

2 comentários:

  1. Shiva dança. Dança num anel de fogo eterno de criação e destruição. Esta Dança tem outro nome no TAO: Taiji. " do um se formaram o dois. Ying e Yand, e do dois se formaram todas as coisas..." Lao Tzu. A tripla relação do Taiji é a mesma Dança de Shiva, aquela a que assistiu a corte do palácio Imperial de Beijing ao tempo de Yang Lu Chang! Não procurem a origem fora, procurem dentro, não será uma boa pista?. "Homo nosce te ipsum"!!! Um abraço, Valdemar :)

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  2. Olá Valdemar!
    Gostei do entrosamento da dança de Shiva com o Taiji! Para além da poesia que ressalta, existe uma grande profundidade no sentido da tua "dança" de palavras.
    A tua pista é óptima, e certamente os mais atentos, conscientes e sapientes, segui-la-ão. Porém, muitos vivem na Ilusão de cultivar e defender outras realidades!
    Um Beijinho
    Diana

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