CHINARTE Artes da Saúde

Novas Aprendizagens, Estar e Ser Naturalmente!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CURSO INTENSIVO LUOHAN CHI KUNG


Especialização

Siuo Luohan e Dai Luohan



Objectivo Geral

Aprendizagem dos movimentos das Formas Siuo Luohan e Dai Luohan, associada às suas especificidades nos planos energético e terapêutico.

Destinatários

Monitores, Instrutores e praticantes de Chi Kung.

Foto: Mestre Nelson Barroso/Exercício de Dai Luohan (O Grande Buda)

Requisitos Básicos: Conhecimento dos exercícios base do Sistema Luohan Chi Kung.

PROGRAMA DO CURSO

· Estudo teórico-prático da Forma Siuo Luohan
· Tipos de Respiração na Forma Siuo Luohan
· Aplicação Terapêutica dos movimentos da Forma Siuo Luohan
· Estudo teórico-prático da Forma Dai Luohan
· Abordagem de 15 exercícios de Dai Luohan nos aspectos energéticos e meditativos.

Formador Responsável: Mestre Nelson Barroso

Datas e Horários do Curso:
30 de Outubro 2010: 10:00h às 13:00h e 16:00h às 19:00h
31 de Outubro 2010: 10:00h às 13:00h

Local: CHINARTE – Viana do Castelo

Inscrições: geral@chinarte.com

Forma Siuo Luohan (O Pequeno Buda) à beira mar

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Existe Um Só Tai Chi Chuan

por Nelson Barroso

Este artigo foi elaborado com base numa entrevista realizada ao Mestre Fu Qing Quan, no dia 17 de Maio de 2007 em Ourense – Espanha. Esta entrevista visou, exclusivamente, esclarecer alguns pontos um pouco dúbios, relativos à história da família Yang.

Após vários anos de prática de Tai Chi Chuan, constato que muito se escreve sobre o Tai Chi, mas infelizmente as declarações de alguns dos ditos “letrados” das Artes Marciais, pouca veracidade contêm. Para além deste facto, também os que seguem a via mística usando o Taoismo como fonte de inspiração, muito divagam. Penso que a maior parte dos documentos elaborados inicialmente provêm de Chen Man Ching, tendo posteriormente sido a base para muitos reescreverem e inventarem.

A família Yang respeita Chen Man Ching, não pela sua técnica, mas pela divulgação que fez do Tai Chi Chuan. Chen Man Ching praticou muito pouco tempo Tai Chi, todavia soube tirar partido desta arte, conseguindo depois expandi-la por Taiwan, pelo Vietname e pelos Estados Unidos da América e finalmente por todo o Mundo Ocidental. Julgo que o depoimento do Mestre Fu Qing Quan retrata bem a realidade do Tai Chi na China e no resto do Mundo. Fu Qing Quan é filho do Mestre Fu Sheng Yuan e neto do Grão-mestre Fu Zhong Wen e tal como o seu pai, tem uma vida plena de Tai Chi. Tendo nascido no seio desta arte, continua a aprendê-la e a divulgá-la para que as gerações vindouras a conheçam. Este é o seu legado, como o tem sido o dos seus antecessores. Nasce no seio do Tai Chi, e desde muito jovem iniciou a aprendizagem de Tai Chi com o Pai e com o Avó, tendo dedicado a sua vida, unicamente, às artes marciais. Na juventude pertenceu à selecção chinesa de Wushu e foi várias vezes Campeão Nacional de Jianshu (Espada). Fala-se muito de Yang Zheng Duo que é filho de Yang Cheng Fu. Mas, com quem terá ele aprendido Tai Chi, se o seu Pai faleceu quando ele apenas tinha 9 anos?
O Mestre Fu Qing Quan foi reconhecido como 7º Duan pelo Governo da Republica Popular da China e o seu Pai, o Grão Mestre Fu Sheng Yuan é actualmente a máxima autoridade Mundial do Tai Chi Chuan com o grau de 8º Duan.

O Mestre Fu Qing Quan vive em Shanghai e viaja constantemente por toda a China, Japão, Malásia, Singapura e Vietname ensinando e mostrando a arte da sua família. Desde pequeno que se deslocava com o seu Pai e Avó por todo o Mundo. As histórias do Tai Chi, os documentos mais secretos e todos os outros aspectos sobre esta arte e sobre a cultura chinesa estão bem presentes nos seus conhecimentos fazendo dele um grande Mestre de Tai Chi Chuan.

Mestre Nelson Barroso e Mestre Fu Qing Quan executando Tui Shou

Antes de entrevistar o Mestre Fu Qing Quan muni-me de alguns artigos extraídos de livros e da Internet e sentei-me no sofá com um gravador e inúmeros papeis, pronto a ouvir e a tentar esclarecer algumas dúvidas. Espero que, também, satisfaça alguma das vossas curiosidades.

Nelson Barroso – James (Mestre Fu Qing Quan), alguns livros mencionam que o Tai Chi da família Yang tem vindo a mudar com o tempo. É verdade que os movimentos antigamente eram bem diferentes do que são hoje?

Fu Qing Quan – Os movimentos não são diferentes, apenas são executados por pessoas diferentes. Os movimentos nunca mudaram. Vejamos, Fu Zhong Wen era mais baixo que Yang Cheng Fu e por isso parecem diferentes, James é mais novo que Fu Sheng Yuan e logo, também, parecem ser diferentes. A diferença de estatura, de composição da massa muscular, de idade, etc., fazem com que os movimentos se pareçam diferentes, o que não significa que os movimentos tenham mudado. Os Mestres adaptam os movimentos ao seu corpo, mas a essência e o espírito são os mesmos. Fu Zhong Wen odiava mudar fosse o que fosse. Ele foi conhecido por ser um dos mestres que melhor executava os movimentos e que os manteve tal como lhe foram ensinados. A família Yang nunca mudou os movimentos, tendo mantido esta arte inalterada desde os seus primórdios.

Nelson Barroso – Diz-se que no fim da carreira Yang Cheng Fu decidiu eliminar todos os resquícios de movimentos do estilo da família Chen, pelo que reuniu com os discípulos e reviu toda a forma, acabando com os sinais do Chen Tai Chi.

Fu Qing Quan – Penso que quem escreveu isso, escreveu algo pouco adequado e correcto. Se o Mestre quisesse trocar logo, porque motivo chamaria os díscipulos, trocava ele mesmo. Esta é a primeira questão, como tal o que questionas é muito estúpido. A segunda questão que se põe será: Porquê trocar? Yang Cheng Fu escreveu no seu livro que o Tai Chi vinha de há muitas centenas de anos e que os Mestres de outrora faziam-no muito melhor do que nós, se o Tai Chi necessitasse de ser mudado, então as pessoas dessa época já o teriam feito não era necessário nós agora trocarmos fosse o que fosse. Quem diz isto não entende nada de Tai Chi. Yang Cheng Fu deixou duas mensagens importantes no seu livro, a primeira referindo que nos anos trinta do século XX, alguns tentaram introduzir alterações no Tai Chi Chuan e a segunda, esclarece em definitivo que o estilo Tai Chi Chuan não pode ser modificado, uma vez que este é o único Tai Chi no Mundo. Yang Cheng Fu escreveu dois livros, o primeiro ficou conhecido como um Tratado do Tai Chi, intitulado “How to use Tai Chi” e o segundo livro com o título “Tai Chi to the Body and How To Use”.

É muito importante fazer-se notar que naquela época, aqueles livros apenas mencionavam o Tai Chi Chuan e não o Yang Tai Chi ou o Chen Tai Chi. Por isso, no tempo de Yang Cheng Fu, quando ele escreveu o livro não houve necessidade de lhe chamar Yang Tai Chi, porque nessa altura só existia um Tai Chi, e esse era o da Família Yang, mais ninguém ensinava Tai Chi, como tal não havia necessidade de lhe chamar Yang Tai Chi, para o diferenciar fosse do que fosse. O Tai Chi era o estilo da família Yang e todos o sabiam.

Nelson Barroso – Yang Luchan aprendeu na aldeia Chen?

Fu Qing Quan – Sim, Yang Luchan (楊露禪) (1799-1872) estudou com Chen Chang-Hsing a partir de 1820. Depois regressou a Yongnian e um habitante dessa aldeia e amigo de Yang Luchan, Wu Yu Hsiang (futuro fundador do estilo Wu de Tai Chi ) levou-o para Pequim (Beijing) para ensinar Tai Chi Chuan aos membros da família Imperial e a diversas unidades de elite da Guarda Imperial.
A primeira geração da família Yang só ensinou a gente da Corte, a pessoas ricas, entre as quais o irmão do Imperador, só estes privilegiados é que tinham acesso a esta Arte. Era proibido ensinar a pessoas do Povo. A partir da segunda geração Yang Jianhou (Yang Chien-hou) 楊健候 (1839–1917) e Yang Banhou (Yang Pan-hou) 楊班侯 (1837-1890), também, foram contratados como instrutores de artes marciais pela família Imperial, para além de que, também, ensinavam a pessoas ricas e não ao Povo. O Tai Chi tornou-se muito Popular na Terceira geração.

Os filhos de Yang Jianhou, Yang Shaohou 楊少侯 (1862-1930) e Yang Chengfu 楊澄甫 (1883-1936) tornaram-se professores de Tai Chi famosos em toda a China. Foram os primeiros Mestres a ensinarem Tai Chi Chuan ao Povo em geral em Pequim (北京 - Beijing) de 1914 até 1928. Yang Chengfu percorreu a China de Norte a Sul, divulgando amplamente a prática, não somente como uma arte marcial, mas também, como uma terapia para manter a saúde. Em 1928 mudou-se para Shanghai.

Nesta altura a aldeia da família Chen começa a ser conhecida, em consequência das pessoas questionarem de onde provinha o Tai Chi e de lhes ser dito pelos praticantes que o tinham aprendido em ChenJiagou, o que originou a sua popularidade. Este facto levou os aldeões a investigarem mais a arte de Chen Chang-Hsing e a colocarem um pouco de lado o Pao Chui (estilo de Kung-Fu da família Chen), único estilo desta aldeia. Naquela época, o Tai Chi Chuan não era muito popular junto dos autóctones de Chenjiagou, uma vez que era um estilo muito suave e aqueles não entendiam que era a força interna que gerava a eficácia e potencial desta arte.

Após estes acontecimentos a família Chen aprendeu um pouco Tai Chi e misturou-o com Pao Chui, surgindo o Chen Tai Chi, o qual foi reconhecido mais tarde em Beijing numa reunião com os Mestres de Tai Chi, onde esteve presente Chen Fake. O Tai Chi vem de Wudan com Zhang Sang Feng e data do final da dinastia Ming (1368-1644), deste Mestre passa para Chan Xi Shong, depois vem Jian Fa, e seguidamente para Chen Chang-Hsing, que tinha o estilo conhecido como Mien Chuan. Esta teoria é aceite em toda a China. Nas reuniões que temos com todos os Mestres de Tai Chi de todos os actuais estilos, todos confirmam esta teoria.

Nelson Barroso: Quem foi o primeiro Mestre de Tai Chi?

Fu Qing Quan – O primeiro Mestre de Tai Chi foi Zhang Sang Feng que terá vivido entre as Dinastias Sung e Ming. Muitas pessoas que praticam Tai Chi na China comemoram o nascimento do fundador desta arte, Zhang Sang Feng. O estilo de Zhang Sang Feng era conhecido como Mien Chuan “punho de algodão”. Yang Luchan, aprendeu com Chen Chang - Hsing o estilo de Zhang Sang Feng. A partir de Yang Luchan o Tai Chi Chuan fica conhecido como Yang Tai Chi Chuan, mas a base do Tai Chi é apenas uma, respectivamente, o estilo de Zhang Sang Feng, ou seja, pura e simplesmente – Tai Chi Chuan.

Nelson Barroso: É verdade que Yang Luchan foi o responsável pela divulgação do Tai Chi?

Fu Qing Quan – Sim, se não fosse Yang Luchan, o Tai Chi teria terminado com Chen Chang Hsing, uma vez que nessa altura nenhum membro da família Chen queria fazer Tai Chi, todos preferiam praticar Pao Chui. Yang Luchan dinamizou o Tai Chi Chuan e foi a partir dele que muitas outras pessoas tiveram acesso a esta arte. Yang Luchan fez do Tai Chi uma das mais eficazes artes marciais. Na China todas as artes marciais são consideradas eficazes, todas são boas. Todavia, deve-se fazer notar que é o praticante que faz a diferenciação, ou seja, dada arte poderá ser considerada superior relativamente a outra, consoante o indivíduo que a pratica. Devo, ainda, realçar que Yang Luchan foi um dos que se destacou na arte do Tai Chi e, por isso a partir dele a escola de Tai Chi obteve um grande incremento de popularidade. Este Mestre, Yang Luchan, ficou conhecido com o cognome de o “Invencível”.
Nelson Barroso: Porque que motivo existem tantos estilos de Tai Chi Chuan?

Fu Qing Quan – Porque o povo chinês gosta muito de inventar. A maioria dos estilos que surgiram no Tai Chi são o resultado da falta de conhecimento das pessoas. Devido ao seu ego, à sua inteligência e ao facto de pensarem que já sabem tudo, julgam que podem inventar, recriando a arte ao imaginar novas formas de exercer a prática. Por outro lado, também, sucedeu que muitos formaram novos estilos, atendendo a que se aperceberam que poderia ser uma forma de sustento, uma vez que dando aulas obtinham um incremento dos seus rendimentos. Isto não ocorreu apenas na época de Yang Luchan, também, nos dias de hoje sucede com frequência.

E noto que não somente no Oriente. De facto, actualmente, também, se constata que no Ocidente, qualquer um cria um estilo e defende-o como se fosse o melhor.
Nós, na nossa família nunca o fizemos, sempre mantivemos a tradição, porque entendemos que o que está bem feito não se muda.

Nelson Barroso: Todos os estilos de Tai Chi vêm da família Yang?

Fu Qing Quan – Sim, foi a partir de Yang Luchan que surgiram os primeiros estilos de Tai Chi. O primeiro estilo que surgiu foi o estilo Wu, derivado do Mestre Wu Yu Hsian que trabalhava em Beijing e era da aldeia de Yongnian, a mesma aldeia em que vivia Yang Luchan. Eram amigos e Yang Luchan acompanhava Wu Yu Hsian na prática do Tai Chi, vindo este último a tornar-se seu aluno graduado e mais tarde, também, Mestre de Tai Chi, ensinando a prática com algumas modificações relativamente ao que tinha aprendido. Wu Yu Hsian era um erudito de uma família rica e influente, tendo sido ele que levou Yang Luchan para Beijing, para que este ensinasse a técnica aos funcionários do Imperador. Esta variação da Escola Yang é hoje conhecida como, Escola Hao, em virtude de não terem existido descendentes Wu no seguimento da arte. A segunda variação da escola Yang provem de Wu Quan You (1834-1902) que era Manchu e trabalhava como guarda na corte Imperial de Beijing, tendo sido aluno do Mestre Yang Luchan. Wu Quan You vestia-se com trajes compridos até aos pés, o que veio a influenciar os movimentos dos exercícios deste estilo, sendo que nesta variante os exercícios são pequenos, com passos curtos. Apesar de Wu Quan You ser o fundador deste estilo, é o seu filho, Wu Jian Quan (1870-1942) que através de um árduo trabalho, se empenhou em divulgar o estilo que passou a ser conhecido como o Estilo Wu Jian Quan ou Estilo Wu. Mais tarde, surge o estilo de Sun Lutang (1861-1933). Esta forma foi modificada propositadamente, porque Sun Lutang era um credenciado Mestre de H-Sing e de Ba Gua Zhang. Após, ter praticado Tai Chi com Hao Wei Zhen e com Yang Luchan, Sun Lutang modificou, intencionalmente, a forma e criou um novo estilo.

Nelson Barroso: Todas estas variações podem ser consideradas Estilos de Tai Chi Chuan?

Fu Qing Quan – Sim, foi o Governo da Republica da China que em 1949 atribuiu os nomes às diferentes variações de Tai Chi. Nessa altura, em reunião com os vários representantes dos diversos Estilos de Tai Chi, foram reconhecidos os seguintes estilos: o Yang Tai Chi, o Wu / Hao Tai Chi, o Wu Tai Chi, o Sun Tai Chi e o Chen Tai Chi. Este último, devido ao facto de Chen Fake, também, ter estado presente nessa reunião, a título de ser neto de Chen Chan Hsing, pelo que a partir dessa altura, o estilo da aldeia de Chen Jiagou passou a ser reconhecido como Chen Tai Chi.

Nelson Barroso – James, coloquemos, agora, um pouco de lado a história do Tai Chi e falemos sobre a finalidade do Tai Chi nos dias de hoje. Inúmeras pesquisas apontam o Tai Chi como uma modalidade de especial importância para a saúde. Qual é a tua opinião?

Fu Qing Quan – Efectivamente o Tai Chi Chuan é uma excelente modalidade para a saúde das pessoas. O Tai Chi não só é bom para o corpo, como, também, o é para a mente e o espírito.


Na filosofia das Artes Marciais considera-se de extrema relevância o corpo. Primeiro, devemos preparar o corpo para o dia a dia, fortalecendo-o para que no Futuro possamos ter uma boa qualidade de vida. Eu, no Tai Chi, ensino primeiro a forma de Punhos (Forma de 108 movimentos), depois as armas, depois o Tui Shou e por último, Fa Jing.

Nelson Barroso: O objectivo do Tui Shou é o combate?

Fu Qing Quan – Não, isso são criações da era moderna. O objectivo do Tui Shou é sentir o corpo, escutar o corpo, sentir a energia. O Tui Shou é parte integrante do treino de Tai Chi Chuan.

Nelson Barroso: E as armas são usadas para o treino de combate?

Fu Qing Quan – Actualmente não. As armas são treinadas com o objectivo de passar a energia para o teu corpo e não são usadas para o combate como o eram antigamente.

Nelson Barroso: E o Fa Jing?

Fu Qing Quan – O Fa Jing é treinado com o intuito de desenvolver a energia interna, a força interior. Há pouco falaste de Saúde e nessa linha de pensamento, devemos primeiramente trabalhar a forma de Punhos para manter o corpo saudável, depois Tui Shou, as Armas, e finalmente, Fa Jing que por sua vez irá magoar o corpo, pelo que tens que voltar ao princípio e voltar a treinar a forma de punhos para curar o corpo. Isto é Tai Chi; Yin-Yang.

Nelson Barroso: Como posso treinar Tai Chi para Combate?

Fu Qing Quan – Para treinares Tai Chi para combate, deves treinar muito Fa Jing, mas, só o podes fazer, quando o teu corpo estiver preparado. Se a tua base não for forte, o teu Fa Jing não presta, então o teu combate, também, será fraco. Por isso pratica bem a base.

Nelson Barroso: E o que significam as oito energias no Tai Chi?

Fu Qing Quan – O Tai Chi compõe-se de 8 energias e de 5 direcções que perfazem na sua globalidade os 13 movimentos de Tai Chi, como por vezes, também, é conhecida esta arte.

As oito energias são a base do Tai Chi, indica-nos a correcta posição de cada movimento, estando sempre presentes na forma. Em determinados movimentos poderemos usar mais do que uma energia. Poucas pessoas conhecem as oito energias do Tai Chi.

Ou melhor, de nome todos as conhecem, mas, executá-las na prática é mais difícil, pelo que a maioria dos praticantes inventa e arranja sempre uma aplicação distinta para cada movimento. Claro está que isso não está correcto e logo a aplicação não é efectiva. Sabes, por exemplo, no movimento de “Tocar o Alaúde” estão presentes três energias distintas. Quanto às oito energias, as primeiras quatro executam-se em linha recta e as restantes executam-se na diagonal.

Nelson Barroso: Sendo, assim, porque motivo nalguns livros é referido que a energia X vai para Norte, a energia Y para Oeste, etc.?

Fu Qing Quan – Isso são tudo invenções para escrever livros. Já te disse que muitos dos que escrevem livros sobre Tai Chi, não entendem nada sobre o assunto.

Nelson Barroso: Porque razão os alunos de Chen Man Ching executam os movimentos sem energia, aparentando um ar moribundo?

Fu Qing Quan – Não sei. Uma vez, aquando duma viagem aos Estados Unidos com o meu avó, um aluno trouxe uma cassete de Chen Man Ching e o meu avô quis vê-la. No fim disse:- “Não está assim tão mal, faz muito melhor que os alunos”. Os alunos parecem não ter vida. Os alunos deste mestre em Taiwan, Singapura e Malásia, executam a prática de Tai Chi de forma muito mole, sem força, sem vida. Devemos fazer Tai Chi com Firmeza, devemos ter espírito, presença na forma. Expressando Suavidade, mas com agulhas dentro, agulhas envolvidas em algodão, pois isso é Tai Chi – Mien Chuan (Punho de algodão).

Nelson Barroso: O Tai Chi é circular. Quando fazemos um movimento devemos pensar que estamos a segurar numa bola.

Fu Qing Quan – Não, o Tai Chi não é uma “pizza”, O Tai Chi é uma bola. Quando executas Tai Chi, não deves pensar que seguras numa bola, mas, sim que és parte integrante dessa bola. O Tai Chi é uma arte que se executa em três dimensões e não numa dimensão ( “Tai Chi is not one D, Tai Chi is three D”).

Nelson Barroso: Muito obrigado James, o dia já está quase a nascer, pelo que será melhor continuarmos esta entrevista no próximo mês de Julho em Shanghai.
Eram quase cinco horas da manhã e eu não aguentava mais a sonolência e a exaustão que me envolviam, após um dia árduo de treino de Tai Chi. No entanto, James continuava com a sua boa disposição de sempre, rindo constantemente e demonstrando algumas técnicas ao meu colega José Gago que ia servindo de “sparring”.

Fiquei muito impressionado com a sua força de pernas, com a flexibilidade e agilidade dos seus movimentos, associados a um corpo em equilibrio, bem fixo e ao mesmo tempo pleno de suavidade. É deveras um grande Mestre de Tai Chi Chuan, um dos melhores Mestres da actualidade.

Mestre Fu Qing Quan na postura de "Xia She /Serpente Entra na Cova"

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

GENUINIDADE NO ENSINO DE TAI CHI CHUAN E CHI KUNG EM PORTUGAL

CHINARTE ARTES DA SAÚDE


-Ensinamos o Autêntico Tai Chi Chuan Tradicional de linhagem directa da Família Yang

- Ensinamos Chi Kung Tradicional de um dos mais famosos estilos da China

- Oferecemos um Projecto Educativo diferente que associa o Melhor Sistema de Aprendizagem

- Proporcionamos em Portugal e na China Cursos supervisionados pelos melhores Mestres Mundiais de Tai Chi Chuan e Chi Kung

- Facultamos os melhores métodos didácticos e pedagógicos nesta área com suporte técnico válido e eficaz (livros, sebentas, vídeos, etc.)

- Formação Presencial com complemento Elearning para fomentar o estudo contínuo e o aperfeiçoamento dos conhecimentos apreendidos, possibilitando uma evolução na aprendizagem mais rápida e eficaz

- Editamos livros e DVD’s técnicos para quem deseja aprofundar o estudo destas especialidades

- Publicamos assiduamente artigos sobre Tai Chi Chuan e Chi Kung

- Realizamos em Portugal Cursos de Especialização Intensivos que visam o aprimoramento das competências no desempenho das práticas de Tai Chi Chuan e de Chi Kung, quer numa perspectiva de Desenvolvimento Pessoal, quer de incentivar a Formação Contínua das habilitações como Monitor/Instrutor de terceiros nas diversas vertentes:


• Arte Marcial
• Promoção e Prevenção da Saúde
• Aplicação Terapêutica Complementar
• Prática Desportiva e/ou Lúdica

- Missão, Formar e Educar indivíduos altamente qualificados que se diferenciem pela Excelência no Ser, Estar e Fazer.

w w w . c h i n a r t e . c o m

A Prestação de um Serviço de Qualidade
A Excelência na Formação Profissional

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

As Dores nos Joelhos e a Prática de Tai Chi Chuan


por Nelson Barroso (Mestre de Yang Tai Chi Chuan Tradicional)

Este artigo visa elucidar e aconselhar os inúmeros adeptos de Tai Chi Chuan, Chi Kung, Kung-Fu e de outras modalidades no âmbito das Artes Marciais, que nalguns casos, apresentam frequentemente sintomas de dor nos joelhos.

A dor nos joelhos pode ter origem em diversos factores, tais como, posturas incorrectas aquando da prática, a forma anatómica que não permite a boa execução da postura ou a deformação dos tendões. Estes factores podem derivar de diversas situações, associadas, quer a uma prática desportiva intensa, quer ao sedentarismo. Por outro lado é de extrema importância que a prática destas actividades seja supervisionada por um professor experiente e conhecedor das técnicas que se devem desenvolver.

Julgo ser relevante na abordagem deste tema, aprofundar anatomicamente esta área do corpo humano, para que possamos compreender como pode suceder esta sintomatologia.
O joelho é uma articulação complexa, a qual reune três ossos, respectivamente, fêmur, tíbia e patela. Esta articulação tem dois graus de liberdade de movimento - flexo-extensão e rotação, e três superfícies que se articulam, as articulações tibiofemural medial, tibiofemural lateral e patelofemoral, as quais estão encerradas dentro de uma cápsula articular comum.

Funcionalmente, o joelho é capaz de suportar o peso corporal na posição erecta sem contracção muscular; O joelho, também, participa em inúmeras funcões no nosso quotidiano, como por exemplo, no simples acto de nos sentarmos, quando rodamos o corpo ou simplesmente, caminhamos. Sabia que na simples marcha, hoje tão em voga, o joelho normal reduz o dispêndio de energia ao diminuir as oscilações verticais e laterais do centro de gravidade do corpo, enquanto sustenta forças verticais que se aproximam quatro a seis vezes do peso corporal. São de facto, múltiplas as funções que normalmente são da responsabilidade dos joelhos, tais como:

• Resistir a grandes forças;

• Proporcionar estabilidade e uma elevada amplitude de movimento que são obtidas de forma excepcional;

• A mobilidade que é provida em conjunto com os tecidos moles, respectivamente:
o Ligamentos - Ligamento Colateral Lateral, Ligamento Colateral Medial, Ligamentos cruzados anterior e posterior e Ligamento transverso;
o Músculos - Quadrícepes que realizam o movimento de extensão, Bícepe Femural que realiza a flexão e a rotação lateral, Semitendinoso e Semimembranoso que realizam a flexão e a rotação medial;
o Cartilagem - Meniscos.

Por vezes o desgaste das articulações dos joelhos ou a inflamação de tendões ocorre devido ao uso continuado ou exagerado de exercícios que sobrecarregam esta área do corpo. Há minúsculas rupturas das fibras que compõem os tendões, levando a uma reacção inflamatória local e posterior cicatrização. Com a repetição do esforço (caminhada, corrida em piso de cimento, Kung-Fu, Pilates, Tai Chi, etc.) podem originar-se "rasgões" nos tendões, com variadas repercussões, que poderá associar-se a sintomas que vão da simples dor ao desgaste total. A falta de líquido na cartilagem, também, pode ser um problema. Esta é uma das causas mais comuns, "joelho seco" conhecida por periartrite do joelho que se torna bastante doloroso.
Como eu sempre digo no Tai Chi, devemos efectuar os exercícios de forma intensa, mas nunca ultrapassando o limite, e precavendo qualquer postura incorrecta. Ao efectuarmos um exercício com posturas fortes e suaves, contribuímos para o fortalecimento dos ligamentos cruzados dos joelhos (anterior e o posterior), os quais conferem controlo e estabilidade do joelho durante os movimentos de flexão e extensão. Estes ligamentos situam-se no centro da articulação, formando uma cruz. O ligamento cruzado anterior controla o movimento para frente da tíbia sobre o fêmur e o ligamento cruzado posterior controla o movimento para trás. Os músculos que movem o joelho, particularmente o grupo do quadrícepedes, contribuiem consideravelmente para a sua estabilidade e podem compensar até certo ponto o ferimento ligamentoso. Por isso, chamo a atenção para o facto de ser de extrema importância praticar uma modalidade desportiva que tenha na sua origem principios correctos e que tenham sido estudados e desenvolvidos, com o intuito de favorecer uma prática saudável, promovendo o bem-estar fisico, mental e emocional.

A CHINARTE representa há diversos anos em Portugal a Escola Tradicional de Yang Tai Chi Chuan – World Yang Tai Chi Chuan Federation – e como Formador e praticante desta modalidade, posso atestar que este estilo de Tai Chi Chuan promove a aprendizagem correcta, focando a necessidade de executar os movimentos de forma lenta e harmoniosa, seguindo os principios do Yin / Yang (Cheio / Vazio), o que possibilita em larga medida o fortalecimento dos quadricipes e estimula uma maior irrigação sanguínea na área dos joelhos.

Contrariamente, a prática de Tai Chi Moderno que é desprovida do principio Yin / Yang, tal como no sedentarismo, ou nos que apenas praticam a caminhada, não promove o desenvolvimento dos quadricipes, mantendo ou gerando a atrofia destes músculos, o que consequentemente, virá a provocar o aparecimento de dores agudas e patologias orgânicas nos joelhos. Nos casos de dor aguda aconselho a aplicação de frio para eliminar a inflamação do joelho, podendo usar-se a hidroterapia (crioterapia, se a dor for muito aguda). Nos casos de dor crónica a Acupunctura tem resultados muito eficazes, aliviando de imediato a dor. Por outro lado, é muito importante reforçar a estrutura muscular, pelo que de forma gradual devem efectuar-se exercícios que fomentem o aumento da amplitude dos movimentos e desta forma, permitem fortalecer paulatinamente as pernas. Práticas, como por exemplo, o Kung Fu não são aconselhadas nesta fase, porque os movimentos são muito rápidos e não garantem a estabilidade desejada.

Assim, aconselho todos os praticantes de Artes Marciais ou Desportistas em geral, a fortalecerem gradualmente as articulações dos joelhos, o que poderão fazer com a execução adequada da Forma de Yang Tai Chi Chuan Tradicional e com a prática de determinados exercícios de Chi kung ou simplesmente, com a prática de alguns exercícios que no parágrafo seguinte exponho.
Podem efectuar-se exercícios isométricos e técnicas de mobilização passiva - Técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptivas (PNF), exercícios de resistência com peso. Isto quer dizer que os exercicios deverão ser executados de forma lenta e com paragens em dadas posições, mantendo a postura num periodo minimo de dois minutos.
Alguns dos exercícios que se podem praticar são:
1) Encostar as costas numa parede e flectir as pernas, como se estivesse sentado, mantendo as pernas num ângulo de 90º entre a coxa e a perna e permanecer estático nesta postura durante 2 minutos. Pode começar por efectuar este exercício inicialmente durante 15 segundos e ir aumentando a duração do exercício gradualmente até atingir 2 minutos.
2) Estender a parte posterior do corpo no solo e flectir as pernas. Uma segunda pessoa pressiona para baixo as pernas e o individuo que faz o exercício tenta aguentar o máximo de tempo possivel. Seguidamente, deve relaxar, estendendo as pernas suavemente.
Existem muitos outros exercicios para o fim que aqui assinalo, mas fundamentalmente, o que importa é fomentar a musculação das pernas para que os joelhos tenham estabilidade e possam suportar os movimentos menos correctos que possamos efectuar com a prática do desporto, seja de que tipo for.
O Tai Chi é uma modalidade para a saúde, que pode ser física e mental. Mental se efectuarmos um exercicio lento e harmonioso sem esforço físico, apenas buscando o relaxamento da mente e paz de espirito, estado que em geral todos procuramos, só que esta fase é muito perigosa, pois pode conduzir-nos para caminhos que não sabemos interpretar e entender, à luz do actual conhecimento, e consequentemente, entramos no campo do misticismo. Por outro lado o Tai Chi é uma prática fisica, se praticarmos esta modalidade apenas com o intuito do fortalecimento dos músculos, o que por vezes pode ser grave, porque podemos cair na tentação de querer ultrapassar todos os nossos limites, os quais podem ser inacessiveis para a nossa estrutura corporal. O ideal na prática de Tai Chi é obter um equilibrio entre o físico e a mente, fazer Tai Chi no limite da força muscular e relaxar com "os olhos abertos", Mente Desperta e Consciente, Concentrada e Vigilante. É este equilibrio que define o Autêntico Tai Chi. É este equilibrio que todos procuramos e que as pessoas geralmente pensam que um Mestre lhes pode dar. No entanto, um Mestre apenas pode guiar no caminho que pensa ser o mais correcto. O equilibrio individual tem que ser descoberto pelo próprio.
A Serenidade e a Paz Interior surgem de forma natural quando conseguimos encontrar o nosso próprio equilibrio para obter o Bem-Estar fisico, mental e emocional.

Como se deve desenvolver uma aula de Tai Chi Chuan?



por Nelson Barroso (Mestre Yang Tai Chi Chuan Tradicional)



O Tai Chi Chuan é constituído por uma série de movimentos, que são executados de forma lenta e graciosa gerando uma série de benefícios a nível físico e emocional.

A aprendizagem da Arte de Tai Chi Chuan deve obedecer a uma metodologia e técnica específicas, de modo a proporcionar a todos os praticantes uma evolução na prática e a obtenção de inúmeros benefícios, quer a nível físico, quer psíquico.

O desenvolvimento de uma aula de Tai Chi Chuan deve dividir-se em três partes. Na parte inicial da aula deve executar-se uma série de exercícios, cuja prática se denomina “Chi Pang Kung” e que consiste na execução de exercícios / movimentos de forma isolada ou conjunta, os quais quando agregados numa sequência organizada, ordenada e executada de forma continua e fluida caracteriza a sequência de Movimentos que denominamos por Tai Chi Chuan. Assim, na parte inicial da aula de Tai Chi Chuan a execução repetida destes movimentos, possibilita ao praticante activar a energia de todo o corpo, bem como obter a evolução do seu aperfeiçoamento técnico. Somente através de uma prática regular e da repetição de movimentos é que se poderá usufruir dos inúmeros benefícios do Tai Chi Chuan. A execução correcta dos movimentos é muito importante, pois possibilita que a energia flua livremente no corpo, e deste modo se crie uma “armadura”, de tal forma impenetrável que nos ajudará no combate e prevenção dos factores patológicos, fomentando a manutenção e o desenvolvimento da nossa saúde.

Na Parte Intermédia da aula deve executar-se a Forma de Tai Chi Chuan ou seja a sequência global de movimentos, que deve fluir de forma contínua, suave e relaxada, mas simultaneamente com uma certa tonicidade muscular e firmeza da energia. A execução desta série ordenada de exercícios demora aproximadamente 20 minutos. Quando o praticante atinge um nível superior na prática de Tai Chi Chuan, esta sequência dinâmica de movimentos denomina-se “Meditação em Movimento”.

O final da aula de Tai Chi Chuan é geralmente composto por uma série de exercícios de Meditação estática que desenvolvem o equilibrio e harmonia dos níveis energéticos nos planos físico e mental.

Na prática de Tai Chi Chuan é vital que os movimentos sejam contínuos e haja um controlo adequado da respiração, para que em movimento surja a meditação e desta forma consigamos fortalecer e fomentar a energia do corpo físico e acalmar e serenar a mente.

Assim. o Tai Chi Chuan consiste numa sequência ordenada de movimentos que é executada de forma contínua, fluida e ininterrupta. A sua função terapêutica reflecte-se no todo e não num exercício em particular.

Actualmente, muito do Tai Chi Chuan que se pratica no Ocidente não é na sua essência Tai Chi, uma vez que este não consiste apenas em exercícios estáticos ou que tendo alguma dinâmica, não associam a continuidade do movimento, à concentração da mente. De facto o Tai Chi Chuan não é apenas exercício lento, é uma arte que tem uma técnica específica, movimentos específicos que devem ser executados de forma adequada. Se tal não ocorrer a autenticidade da prática de Tai Chi Chuan deixa de existir e pratica-se apenas mais uma mera actividade física.
Existe muita confusão entre os conceitos de Tai Chi e Chi Kung. O Chi Kung visa desenvolver a energia, literalmente significa o “trabalho ou cultivo da energia (Chi)” e podemos dizer que o Tai Chi Chuan se inclui como uma forma de praticar Chi Kung, mas é específico na sua essência. Existem muitos tipos de Chi Kung, vários sistemas, várias Escolas Tradicionais e Modernas. Na prática de Chi Kung podemos trabalhar apenas um dado exercício ou movimento continuamente, ou praticar um conjunto de exercícios de forma sequencial e contínua, mas tal não é Tai Chi. Convém esclarecer que no treino de Tai Chi Chuan, aquando da aprendizagem inicial e no aperfeiçoamento dos alunos mais avançados, se pratica o Chi Pan Kung que consiste na repetição continuada de dado movimento técnico de Tai Chi Chuan. Por outro lado, também, se podem praticar exercícios de Chi Kung para fortalecer o corpo e a mente, mas estes diferenciam-se dos movimentos de Tai Chi Chuan.

domingo, 12 de setembro de 2010

Especialização na Forma de Espada (51 Movimentos)

Curso Intensivo de Yang Tai Chi Jien

Objectivo Geral
O curso visa facultar a prática intensa dos movimentos da Forma Yang de Tai Chi e a aprendizagem da Forma de Espada (51 Movimentos).

Destinatários
Praticantes de Tai Chi Nível Avançado

Requisitos Básicos
Conhecedores da Forma Yang Tradicional (85 Movimentos) e experiência na prática de Tai Chi Chuan, incluindo o treino das formas de armas (espada e/ou sabre).

Limite máximo de Inscrições: 8 Participantes
(Nota Importante: As inscrições pagas antecipadamente terão prioridade, uma vez que por vezes se registam desistências de última hora)


PROGRAMA DO CURSO
• Estudo da Forma Yang Tradicional
• Princípios de Li Tié e Jin Tié nos movimentos do Tai Chi
• Forma de Espada (51 Movimentos)


Formador Responsável: Mestre Nelson Barroso

Datas e Horários do Curso:
1 de Outubro 2010: 20:00h às 22:30h
2 de Outubro 2010: 10:00h às 13:00h e 16:00h às 19:00h
3 de Outubro 2010: 10:00h às 13:00h

Local: CHINARTE – Viana do Castelo


terça-feira, 7 de setembro de 2010

E foi assim o Curso de Yang Tai Chi Fajing Gong...

por Nelson Barroso

(Leia os comentários de participantes no final do artigo)

Decorreu nos dias 3, 4 e 5 de Setembro de 2010 o Curso Intensivo de Yang Tai Chi Fajing Gong, o qual foi promovido e organizado pela CHINARTE, Instituição de Formação pela qual sou responsável. Atendendo ao sucesso obtido no que respeita à satisfação dos participantes quanto aos objectivos inicialmente visados, ciclicamente organizar-se-ão outros cursos neste âmbito.


Este curso (http://portugalchikung.blogspot.com/2010/08/curso-fajin-gong.html foi direccionado a um grupo de praticantes de nível avançado e visou realçar a essência marcial da prática do Autêntico Tai Chi Chuan, facultando o desenvolvimento de competências no âmbito da prática pessoal e da capacidade técnico-pedagógica direccionada à monitorização de terceiros. Contudo, uma vez que o programa desenvolvido no curso se revela interessante para a evolução na prática, serão fomentados cursos direccionados para praticantes de nível intermédio. Estes cursos terão sempre como limite máximo de inscrição: 10 alunos, de modo a permitir uma prestação de serviço personalizada, com os consequentes benefícios que daí resultam para todos os intervenientes no processo de aprendizagem. O Tai Chi Chuan na actualidade apresenta diversas vertentes de prática, refiro-me, aos diversos estilos que existem, bem como às respectivas vivências e formas de estar. Por isso, é vital esclarecer o público em geral que desconhece a verdadeira essência desta Arte Marcial Chinesa, incluindo muitos daqueles que se intitulam grandes conhecedores desta Arte.


A aprendizagem do Autêntico Tai Chi Chuan transcende a mera memorização de uma sequência de movimentos, a qual denominamos por forma. Importa que cada postura integre o(s) movimento(s) e a(s) energia(s) adequadas e a perfeição neste desempenho não tem fim, pois é desenvolvida ao longo dos anos de prática. O estudo do Fajing Gong (Trabalho de Fajing) impõe o aprimoramento da prática de Tai Chi Chuan, pois a sua optimização obriga ao aperfeiçoamento das posturas e movimentos e consequentemente das energias desenvolvidas. Importa assim conhecer a forma correcta de colocar o corpo e o trabalho que foi desenvolvido empiricamente ao longo de anos pelos Grandes Mestres desta Arte e que hoje, ao nível do pensamento cartesiano Ocidental podemos entender com base em conceitos da Biomecânica. Mas a teorização destes conhecimentos, sendo útil, é insuficiente para entender esta realidade marcial e somente o treino intenso e assíduo, sob supervisão adequada, possibilitará uma progressão válida na prática de Tai Chi Chuan.
O Autêntico Tai Chi Chuan expressa Força e Sensibilidade Integradas e não somente beleza de movimentos, a qual na maioria dos casos é vazia de conteúdo marcial e apenas se conota com um bailado de movimentos. A CHINARTE agradece a todos aqueles que participaram neste curso o profissionalismo e empenho demonstrados e o espírito de companheirismo que revelaram.

Viva o Autêntico Tai Chi Chuan
CHINARTE / Portugal Yong Nian Tai Chi


Apresentam-se seguidamente alguns comentários de participantes neste curso, os quais revelam a sua satisfação, o que é motivo de grande regozijo pessoal e um incentivo para continuar a promover a divulgação desta arte tradicional e genuína.

COMENTÁRIOS:

"El entrenamiento de taichi kungfu es de lo más fuerte que hay en artes marciales. Este curso ha sido muy tecnico e intenso, uno de los entrenamientos más duros que he realizado hasta la fecha". Las personas no saben lo que és el Yang Taiji, se praticado de forma autentica és muy fuerte. Me he quedado muy satisfecho del rendimiento del curso. Nos vemos en el curso de Espada el mes que viene.” (Carlos Lema, Espanha)


“Achei o curso de Fajing Gong espectacular. Sem dúvida um dos melhores cursos de sempre, sendo que os cursos que desenvolves têm sempre um nível muito elevado nos diversos aspectos que os caracterizam. Mas, de facto, este curso excedeu as expectativas e foi excepcional: um profissionalismo e uma mestria incomparáveis (domínio da técnica, capacidade formativo-pedagógica, plasticidade do treino gerando associação entre a aplicação marcial e os exercícios, etc.); um espírito de companheirismo de cinco estrelas; todos os objectivos superados.
Muito obrigada pelo empenho que revelas e por nos ajudares a melhorar continuamente nesta arte.
Desejo que a genuinidade desta arte possa ser divulgada a públicos mais amplos e que tenhas o sucesso que mereces.” (Diana Roque, Coimbra)


“Confesso que não fui muito confiante para o curso, pois embora reunisse os conformes exigidos pelo Mestre Nelson, ou seja ser praticante de Tai Chi há alguns anos, e saber executar toda a forma Yang (85 movimentos), pensei que seria demasiado para mim, pois sou uma praticante com 66 anos e pensei que teria de ter uma grande força para lutar com os outros participantes, até pensei que teria de ir ao chão e não me agradava nada mesmo. Mas mesmo assim arrisquei e lá fui em direcção à Chinarte.
Aconteceu o que não esperava mesmo, gostei muito fazer este curso, pois o que aprendi e senti no meu corpo deitou por água abaixo as minhas expectativas. A explosão de energia interna para o exterior, sem esforço físico aparente. Foi mesmo um sucesso aprender com o Mestre Nelson esta forma de Fajin. Por outro lado o facto de ser feito num local apropriado com uma boa energia em nosso redor contribuiu para o sucesso deste curso. Da minha parte quero agradecer ao Mestre Nelson e não só, também, aos meus colegas pela boa disposição e disponibilidade em me ajudarem a ultrapassar as minhas dúvidas.
Obrigada e espero que hajam mais cursos de formação deste género.” (Josefina Lourenço, Lisboa)


"É com muito agrado que partilho com quem me estiver a ler a experiência do fim-de-semana de prática de Fajin.
Confesso que foi com o entusiasmo de sempre que apanhei o expresso em companhia da querida amiga Josefina, de Lisboa em direcção a Viana do Castelo, cidade que me encanta desde a primeira visita.
A expectativa de poder aperfeiçoar a forma de 85 e praticar Fajin enchia-me de satisfação pois adivinhava um fim-de-semana árduo e pleno de Tai Chi. E assim foi, o nosso mestre Nelson Barroso, uma vez mais com a sua experiência de longa prática pedagógica, e profundo conhecimento da arte do Tai Chi foi-nos levando passo a passo para a prática de Fajin, que podemos traduzir resumidamente por “explosão de energia”, paciente e diligentemente, procurando o melhor de cada um de nós, corrigindo-nos e incentivando-nos ao rigor da arte.
Para não me alongar muito, direi que sou da opinião de que a prática regular dos exercícios e da Forma de Fajin para além do prazer e dos benefícios terapêuticos que nos proporcionam pelo trabalho em profundidade dos músculos, tendões, articulações e órgão internos, permite-nos uma maior compreensão e aprimoramento da Forma Longa do estilo Yang que praticamos.
Assim sendo, só me resta agradecer uma vez mais ao amigo e Mestre Nelson Barroso pela enriquecedora prática desse fim-de-semana assim como aos queridos companheiros pela companhia e partilha de experiências que tornaram o curso ainda mais agradável e proveitoso esperando por novas oportunidades de aprendizado e são convívio " (João Pedro Costa, Lisboa)


Excerto da Forma Yang Tai Chi Fajing Gong